Rotas de Integração | O interior do Ceará produz mel premiado, mandioca transformada e frutas com potencial de exportação. O que faltava — e o que o FestAgri Ceará vem anunciar esta semana — é o caminho que conecta essa produção ao mercado. Esse é o conceito das Rotas de Integração Comercial: não apenas catalogar o que se produz, mas criar o elo entre o que sai da terra e onde ele precisa chegar. O lançamento oficial das três rotas acontece na quinta-feira, 29 de maio, às 17h, durante a Abertura Oficial da Feira da Agricultura Familiar no FestAgri Ceará. São elas: a Rota do Mel, a Rota da Mandioca e a Rota da Fruticultura — cada uma representando uma cadeia produtiva estratégica para o desenvolvimento econômico do Cariri e do semiárido cearense. Rotas de Integração: A Rota do Mel A apicultura cearense é um caso de sucesso que o Brasil ainda não conhece direito. O Ceará é um dos maiores produtores de mel do país, e o mel do semiárido — produzido com florada nativa, sem agrotóxicos e com características organolépticas únicas — tem atraído atenção de compradores internacionais. O mel do Cariri já foi apresentado em missões comerciais no exterior, com potencial real de exportação para mercados europeus e asiáticos. A Rota do Mel busca formalizar e ampliar esse caminho — desde a colmeia do apicultor familiar até a prateleira do consumidor final, passando por processos de certificação, rastreabilidade e acesso a canais de distribuição qualificados. Rotas de Integração: A Rota da Mandioca A mandioca é a cultura mais democrática do semiárido. Está na mesa de quem tem pouco e no cardápio de quem tem muito — e nos últimos anos passou a ser protagonista de uma cadeia de valor que vai da farinha artesanal à gastronomia de alto padrão. O Ceará tem em sua mandiocultura um produto com identidade territorial forte e potencial de diferenciação no mercado nacional. A Rota da Mandioca propõe estruturar essa cadeia — apoiando a produção familiar, incentivando o beneficiamento local e criando canais de comercialização que aumentem a margem de quem planta e reduzam a dependência de atravessadores. Rotas de Integração: A Rota da Fruticultura A fruticultura irrigada do interior do Ceará é uma das mais competitivas do Brasil. Melão, manga, goiaba, acerola, caju — o Ceará produz frutas de qualidade reconhecida e tem na fruticultura um dos principais vetores de geração de emprego e renda no campo. A Rota da Fruticultura busca ampliar o acesso dessa produção a mercados mais qualificados, com foco em certificação de origem, rastreabilidade e abertura de novos canais de exportação. Por que isso importa Rotas de integração comercial não são apenas mapas. São políticas de desenvolvimento com endereço certo — o produtor familiar, a cooperativa, a comunidade rural que precisa de mais do que produzir: precisa vender bem, receber o justo e crescer. Quando o Cariri lança essas rotas, está dizendo ao mercado que tem produto, tem qualidade e tem estratégia. “Essas rotas são o caminho que conecta o que o nosso produtor planta ao mercado que ele merece alcançar. O Cariri sempre produziu. Agora é hora de aparecer.” — Pedro Lobo, liderança do agronegócio do Cariri Leia tambem: FestAgri Ceará: o maior evento de agricultura familiar do Cariri acontece nesta semana em Crato 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Transnordestina e Transposição: o que essas obras significam para quem produz no semiárido
Análise de Mercado: Transnordestina e Transposição | Falar de infraestrutura no semiárido não é falar de concreto e ferrovia. É falar de margem, de mercado, de futuro. É falar do produtor que hoje paga caro para escoar o que planta — e que amanhã pode ter um caminho mais curto, mais barato e mais eficiente até o consumidor. É nesse contexto que a Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco precisam ser compreendidas: não como obras distantes, mas como decisões que chegam direto na porteira de quem vive do campo no Nordeste. A Transnordestina e o escoamento da produção A Ferrovia Transnordestina é um dos projetos de infraestrutura mais aguardados do Nordeste. Com mais de 1.700 quilômetros planejados, a ferrovia vai conectar o interior do Piauí e do Ceará aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco — criando um corredor logístico que pode reduzir drasticamente o custo de escoamento da produção agrícola do semiárido. Para o produtor rural do Cariri cearense, isso significa sair de uma realidade em que o frete rodoviário consome boa parte da margem de lucro para um modelo em que o acesso ao porto se torna viável mesmo para cooperativas de médio porte. Grãos, frutas, mel, castanha — produtos que hoje chegam ao mercado nacional e internacional com custo elevado passam a ter uma rota competitiva. O impacto vai além do custo logístico. A proximidade com o porto abre caminho para a exportação direta — algo que hoje é privilégio de grandes produtores ou de cooperativas muito bem estruturadas. A Transnordestina pode democratizar o acesso ao mercado externo para o agro nordestino. A Transposição e a segurança hídrica para produzir Se a Transnordestina resolve o escoamento, a Transposição do Rio São Francisco resolve o insumo mais escasso e mais estratégico do semiárido: a água. O projeto, que já está parcialmente em operação, leva água do rio mais caudaloso do Nordeste para as regiões mais áridas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco — chegando a municípios que historicamente dependiam exclusivamente das chuvas para produzir. Para a agricultura, o impacto é direto. Com acesso à água de forma mais estável e previsível, o produtor consegue planejar. Consegue irrigar. Consegue plantar culturas que antes eram inviáveis no semiárido. A insegurança hídrica, que sempre foi o principal limitante da produção rural no interior do Nordeste, começa a ser endereçada de forma estrutural. O debate que acontece no FestAgri É justamente sobre esses temas que o Painel 03 do FestAgri Ceará debateu nesta sexta-feira, 29 de maio. O painel reuniu especialistas e lideranças para traduzir em números e perspectivas concretas o que essas obras representam para quem produz no Cariri e no semiárido cearense. “Quando você junta água com logística, você muda a equação do agro nordestino completamente. O produtor que hoje sobrevive passa a ter condição de prosperar. Esse é o debate que o Cariri precisa fazer — e o FestAgri é o lugar certo para isso.” — Pedro Lobo, liderança do agronegócio do Cariri Leia também: FestAgri Ceará reúne produtores, cooperativas e lideranças do agronegócio em três dias de programação no Crato 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Agronegócio nordestino: o interior do Ceará que o Brasil ainda não conhece
Agronegócio nordestino | Existe um Brasil agrícola que o mercado financeiro, os grandes veículos de comunicação e boa parte do debate nacional sobre agronegócio simplesmente ignoram. Não é o Brasil do cerrado, do soja, das fazendas de milhares de hectares. É o Brasil do semiárido, da caatinga, das cisternas, das cooperativas de agricultores familiares que aprenderam a produzir com pouca água, muita criatividade e zero glamour. Esse Brasil fica no Nordeste. E dentro do Nordeste, o Ceará — e especialmente o Cariri cearense — representa um dos exemplos mais eloquentes de como o interior do país consegue produzir com qualidade, construir cadeias produtivas competitivas e abastecer mercados nacionais e internacionais sem que ninguém ao Sul do São Francisco saiba muito sobre isso. Agronegócio nordestino: O que o Ceará produz O agronegócio cearense é mais diversificado do que a maioria imagina. O estado é um dos maiores produtores de mel do Brasil — com um produto que tem identidade territorial única, produzido com florada nativa da caatinga e com características organolépticas que interessam a compradores internacionais. A fruticultura irrigada do interior do Ceará — melão, manga, goiaba, acerola, caju — é uma das mais competitivas do Brasil. A mandiocultura, historicamente associada à subsistência, vive uma transição para produto com valor agregado. Além disso, o estado tem tradição consolidada em pecuária leiteira, especialmente no Cariri, e avança em culturas como algodão colorido, castanha de caju e produtos da sociobiodiversidade da caatinga — itens com crescente demanda em mercados que valorizam sustentabilidade e origem. O gap de comunicação Apesar de toda essa produção, o agronegócio nordestino aparece pouco. Pouco nas revistas especializadas. Pouco nos painéis das feiras nacionais. Pouco nas discussões sobre política agrícola. Esse apagamento tem consequências práticas: menos investimento, menos políticas públicas adequadas à realidade do semiárido, menos acesso a mercados. A comunicação estratégica do agro nordestino não é um luxo — é uma necessidade econômica. O momento é agora A expansão da infraestrutura hídrica com a Transposição do Rio São Francisco começa a mudar a disponibilidade de água em regiões historicamente áridas. A Transnordestina, quando concluída, vai revolucionar a logística. As cooperativas se fortalecem. O mercado nacional e internacional está cada vez mais receptivo a produtos com identidade territorial e produção sustentável. O interior do Ceará está pronto para dar um salto. O Portal AgroMais está aqui para contar essa história — semana a semana, matéria a matéria, produtor a produtor. O Nordeste produz. Faltava quem contasse. Agora tem. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Setor Sucroenergético do Nordeste
Açúcar em queda, etanol em alta e a janela do Mercosul-UE Análise de Mercado | O setor sucroenergético do Nordeste brasileiro vive em 2026 uma transição inevitável — e estrategicamente necessária. Depois de uma safra 2025/26 marcada por preços ruins do açúcar no mercado internacional, perdas de qualidade da cana por excesso de chuvas em alguns estados e o impacto das tarifas americanas sobre as exportações regionais de açúcar, as usinas nordestinas estão migrando aceleradamente para o etanol. Em Alagoas, maior estado produtor da região, 12 das 15 usinas operantes priorizaram o etanol na safra 2025/26. O setor sucroenergético nordestino projetou alta de 39,8% na produção de etanol anidro na mesma safra — o componente cujo mercado deve ser ampliado ainda mais pelo E32. Na Paraíba, a produção de açúcar caiu 24% enquanto as usinas reforçaram o biocombustível. Mas há também uma oportunidade nova no horizonte: o acordo Mercosul-UE, em vigor desde 1º de maio de 2026, abre cotas de açúcar e etanol para a Europa com tarifas zeradas ou reduzidas — e o Nordeste tem uma vantagem logística real sobre o Centro-Sul para acessar esse mercado. Análise de mercado: o perfil do setor sucroenergético do nordeste O setor sucroenergético do Nordeste está concentrado na chamada Zona da Mata — faixa litorânea que abrange partes de Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e o Recôncavo Baiano. Essa região tem condições agronômicas específicas: clima quente e úmido, com precipitação entre 1.800 e 2.000 mm anuais bem distribuídos, que favorecem o cultivo da cana. As usinas nordestinas são, em sua maioria, menores e mais antigas que as do Centro-Sul. A capacidade de moagem média das plantas nordestinas é inferior à das usinas paulistas ou mato-grossenses — o que significa custos industriais por tonelada de cana processada proporcionalmente maiores. Essa desvantagem de escala é o principal fator que reduz a competitividade do açúcar nordestino no mercado internacional. Em contrapartida, o Nordeste tem duas vantagens estruturais que o Centro-Sul não tem: proximidade logística com os mercados europeus e africanos (os portos nordestinos estão 10 a 14 dias mais próximos da Europa do que Santos ou Paranaguá) e foco histórico no etanol anidro — exatamente o produto cuja demanda vai crescer com o E32. Setor sucroenergético: A crise do açúcar e a migração para o etanol A safra 2025/26 foi difícil para o setor nordestino. Os preços do açúcar no mercado de Pernambuco caíram 21% em novembro em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Alagoas, o recuo foi de 14%. O excesso de chuvas comprometeu o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) — principal indicador de qualidade da cana —, reduzindo a eficiência industrial das usinas. A isso se somaram os efeitos do tarifaço americano sobre as exportações de açúcar nordestino. Os EUA historicamente concediam cotas preferenciais ao açúcar de alguns estados nordestinos — benefício que foi afetado pelas mudanças na política comercial americana durante a guerra tarifária. O resultado foi uma reorganização do mix de produção. Com o açúcar menos rentável e o etanol com margem positiva, 12 das 15 usinas alagoanas e várias pernambucanas e paraibanas deslocaram sua produção para o biocombustível. A produção de etanol anidro no Nordeste cresceu 39,8% na safra 2025/26 — contra queda na produção de açúcar e recuo de 13,4% no etanol hidratado. Setor sucroenergético: O E32 e o impacto direto para as usinas nordestinas A aprovação do E32 pelo CNPE é a melhor notícia possível para o setor sucroenergético nordestino no curto prazo. O etanol anidro — que é justamente o produto que as usinas nordestinas priorizaram — é o componente da mistura cuja demanda será ampliada pela medida. Segundo o presidente da NovaBio, Renato Cunha, que representa o setor em Pernambuco e Alagoas, a adoção do E32 ‘vai crescer o mercado do álcool anidro em 1 bilhão de litros e é um antigo pleito do setor’. Para as usinas nordestinas, que produzem etanol anidro com mercado interno garantido pela política de mistura obrigatória, o E32 representa receita adicional direta — sem necessidade de exportar, sem exposição ao câmbio e sem as barreiras sanitárias que afetam o açúcar. O Nordeste produz aproximadamente 2 bilhões de litros de etanol por ano — cerca de 4,7% do total nacional. Com o E32, a fatia da demanda garantida por política pública aumenta, o que beneficia proporcionalmente as usinas menores — como as nordestinas — que dependem mais do mercado regulado do que do mercado spot. O Mercosul-UE: a janela que o Nordeste está mais preparado para aproveitar O acordo Mercosul-União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026, inclui cotas de açúcar e etanol com tarifas zeradas ou reduzidas para exportação ao mercado europeu. Para o setor sucroenergético nordestino, esse é um dos desenvolvimentos mais estratégicos dos últimos anos. O Sindalcool, que representa as usinas de açúcar e etanol da Paraíba, foi direto: ‘O grande benefício para a região Nordeste é o menor custo logístico.’ Os portos nordestinos — Suape (PE), Pecém (CE), Natal (RN) e Salvador (BA) — estão geograficamente mais próximos da Europa do que os portos do Centro-Sul. A travessia do Porto de Suape ao Porto de Rotterdam leva aproximadamente 10 dias a menos que a travessia de Santos. Essa vantagem logística se traduz diretamente em menor custo de frete por tonelada — o que pode compensar parcialmente a desvantagem de escala industrial das usinas nordestinas em relação às paulistas e mato-grossenses. Para o açúcar VHP (Very High Polarization) e o açúcar refinado, que têm maior valor agregado e maior distância de transporte até os consumidores finais europeus, a vantagem logística do Nordeste é especialmente relevante. Os desafios estruturais que precisam ser superados Apesar das oportunidades, o setor sucroenergético nordestino enfrenta desafios estruturais que precisam ser endereçados para que as usinas possam aproveitar plenamente o E32 e o Mercosul-UE. O primeiro é a modernização industrial. As plantas nordestinas, em sua maioria mais antigas, têm custos industriais por tonelada de cana processada superiores aos do Centro-Sul. Investimentos em automação, eficiência energética e cogeração de