A Gazeta do Povo publicou reportagem sobre o Super El Niño 2026 alertando que meteorologistas estimam 80% de chance de ocorrência do fenômeno com intensidade muito forte nos próximos meses. O El Niño é um evento climático que acontece quando as águas do Oceano Pacífico, na região da linha do Equador, ficam bem mais quentes que o normal, mudando a circulação dos ventos e da umidade no mundo todo. No Brasil, o resultado é quase sempre o mesmo: muita chuva no Sul e seca severa no Norte e Nordeste. Setores de alimentação já projetam altas de até 15% nos custos — com frutas, legumes e hortaliças sendo os primeiros a subir, seguidos por itens básicos como soja e milho. Consequentemente, para o produtor nordestino, o alerta da Gazeta do Povo não é novidade — é confirmação do que o INMET e o Portal AgroMais vêm documentando ao longo de julho: o déficit hídrico no semiárido cearense entre julho e setembro está confirmado, e o pico do fenômeno está projetado para o quarto trimestre.
Nesse sentido, a referência histórica que a Gazeta do Povo evoca no artigo é poderosa: o El Niño mais intenso já registrado, em 1877, causou a morte de até 50 milhões de pessoas no mundo por falta de comida, e no Brasil o Nordeste enfrentou a Grande Seca, que matou cerca de 500 mil pessoas por fome e doenças. A dimensão histórica não é alarmismo — é o contexto que justifica a urgência das ações que o Portal AgroMais vem recomendando ao longo de julho.
O que o Super El Niño significa especificamente para o semiárido cearense
O mecanismo climático do El Niño no semiárido nordestino é bem documentado: quando as águas do Pacífico aquecem, a célula de circulação atmosférica que normalmente traz umidade para o Nordeste é deslocada, reduzindo a precipitação na região. O resultado é seca prolongada, temperaturas acima da média, baixa umidade relativa do ar e pastagens ressecadas. Com 80% de probabilidade de Super El Niño — classificado como intensidade muito forte —, o déficit hídrico que o INMET projeta para julho-setembro no Nordeste pode ser mais severo do que em anos de El Niño moderado. Consequentemente, para o pecuarista nordestino, o impacto mais direto é sobre o rebanho: animais sob estresse hídrico e térmico têm menor conversão alimentar, maior suscetibilidade a parasitas e doenças, e maior mortalidade — com reflexos diretos na receita da propriedade nos meses de agosto a outubro, antes das primeiras chuvas de novembro.
Nesse sentido, a alta de até 15% nos custos de alimentação que os setores de supermercados projetam — documentada pela Gazeta do Povo — tem um duplo efeito para o produtor nordestino: por um lado, aumenta o preço que recebe por frutas, hortaliças e carnes no mercado interno; por outro, eleva o custo de alimentação das famílias rurais e dos trabalhadores das propriedades. O produtor que conseguir produzir e vender durante o El Niño vai se beneficiar dos preços mais altos; o que perder produção para a seca vai deixar de capturar a alta de preços exatamente quando ela estiver acontecendo.
O checklist de preparação para o Super El Niño — o que ainda dá tempo de fazer em agosto
Com 80% de probabilidade de Super El Niño confirmada pela Gazeta do Povo e pelo INMET, agosto é o último mês antes do pico do fenômeno projetado para o quarto trimestre em que o produtor nordestino ainda tem margem de preparação. As ações que ainda fazem diferença em agosto são: primeiro, garantir o estoque de forragem para três meses — feno, palma forrageira ou silagem suficientes para alimentar o rebanho de setembro a novembro sem depender do pasto ressecado; segundo, verificar a capacidade dos açudes e cisternas e calcular em quantas semanas o volume disponível se esgota sem reposição hídrica; terceiro, antecipar a vermifugação e a vacinação do rebanho antes que o calor e o estresse hídrico do pico do El Niño intensifiquem a pressão parasitária sobre os animais; e quarto, contratar a linha de irrigação do Plano Safra 2026/27 (8% ao ano) junto ao BNB para garantir acesso a água para as culturas plantadas em novembro. Consequentemente, o produtor que concluir essas quatro ações em agosto vai enfrentar o pico do Super El Niño no quarto trimestre em posição de gestão — com estoque de forragem suficiente, animais protegidos e crédito de irrigação disponível.
Nesse sentido, o Canal Rural confirma nesta quinta-feira (30) que alertas para umidade crítica em áreas do Centro-Norte do país seguem ativos — com o padrão climático da semana confirmando o cenário de seca que o INMET havia previsto. O bloqueio atmosférico desta semana não é um evento isolado: é parte do padrão do Super El Niño que a Gazeta do Povo documentou com 80% de probabilidade de ocorrência ao longo do segundo semestre de 2026.
O que muda na prática para o produtor
● Garantir estoque de forragem para 3 meses antes que a escassez de agosto eleve os preços de feno e palma
● Verificar capacidade dos açudes e cisternas e calcular semanas de consumo do rebanho sem reposição hídrica
● Antecipar vermifugação e vacinação do rebanho antes do pico de calor do El Niño no 4º trimestre
● Contratar linha de irrigação (8% a.a.) do Plano Safra 2026/27 junto ao BNB — agosto é o último mês para garantir crédito antes do Zarc restringir as janelas
● Acompanhar diariamente os boletins do INMET e da Funceme para monitorar a evolução do déficit hídrico no semiárido cearense ao longo de agosto
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha o Super El Niño 2026 e seus impactos sobre o campo nordestino ao longo do segundo semestre.
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