A soja encerrou a quarta-feira (29) com queda de 2,80% em Chicago, com o contrato de agosto fechando a US$ 11,78 por bushel e perdendo a marca psicológica dos US$ 12 — nível sustentado durante boa parte de julho. O movimento foi puxado pela previsão de clima mais benéfico para as lavouras americanas: chuvas abrangentes e temperaturas amenas esperadas no Corn Belt reduziram o prêmio de risco climático que havia sustentado as altas recentes. Segundo a Safras & Mercado, o mercado brasileiro deve ter mais um dia de negócios lentos nesta quinta-feira (30), com o analista Rafael Silveira apontando que o produtor vai seguir ‘em cima do muro’ diante da queda em Chicago. No mercado físico, Paranaguá fechou na quarta a R$ 148,00/sc — patamar que representa o maior nível do ano e que pode recuar diante da sequência de baixas em Chicago. Consequentemente, o dólar também contribuiu negativamente ao fechar a R$ 5,108 com queda de 0,24% após o Fed manter juros entre 3,5% e 3,75% como esperado — enfraquecendo levemente a moeda americana e reduzindo marginalmente o retorno em reais dos exportadores.
Nesse sentido, uma notícia positiva de longo prazo compensa a pressão de curto prazo: a Abiove elevou nesta terça-feira (28) a projeção de processamento de soja do Brasil em 2026 para o recorde histórico de 63,3 milhões de toneladas e revisou para cima a exportação do grão para 115,4 milhões de toneladas — também recorde. A safra está estimada em 180,57 milhões de toneladas, conforme dados da Conab. Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia da Abiove, comentou que os números reforçam a solidez da cadeia da soja e a capacidade do setor de responder às demandas do mercado global. Para o produtor nordestino com soja em estoque, a mensagem é de cautela técnica no curto prazo, mas conforto estrutural: o Brasil é o maior exportador mundial de soja, com recorde projetado para 2026, e a demanda global permanece firme.
O que causou a queda e por que o ciclo altista não está encerrado
A queda de 2,8% em Chicago na quarta-feira tem dois catalisadores específicos. O primeiro é climático: as previsões meteorológicas passaram a indicar chuvas em importantes áreas produtoras do Meio-Oeste americano nos próximos dias, reduzindo o prêmio de risco que o mercado havia embutido nos contratos futuros durante o período de calor extremo no Corn Belt. O segundo é o efeito petróleo: com o Brent tendo caído para US$ 85 após o anúncio do cessar-fogo EUA-Irã antes de voltar para US$ 90,74 na quarta, a correlação entre petróleo e soja via demanda por biocombustíveis criou pressão adicional sobre os contratos futuros da oleaginosa. Consequentemente, essas duas pressões — clima melhor nos EUA e volatilidade do petróleo — são fatores de curto prazo que não alteram os fundamentos estruturais de médio prazo: estoques americanos baixos (2,10 bilhões de bushels vs 3,29 bilhões anteriores), demanda chinesa ativa e recorde de exportações brasileiras projetado pela Abiove em 115,4 milhões de toneladas.
Nesse sentido, o Notícias Agrícolas confirma que as chuvas esperadas para os próximos cinco dias no Corn Belt, enquanto reduzem o prêmio climático de curto prazo, coexistem com temperaturas muito altas que preocupam o mercado para as próximas semanas — o que pode reverter a queda atual se o calor predominar sobre as chuvas. O produtor que monitora o Weather Market americano esta semana precisa acompanhar não apenas a previsão de amanhã, mas o padrão de calor persistente no Corn Belt que pode reacender os prêmios climáticos nas próximas sessões.
A decisão do produtor com soja em estoque neste encerramento de julho
Para o produtor nordestino com soja da safra 2025/26 ainda em armazém, julho encerra com o seguinte quadro: Paranaguá fechou a R$ 148,00/sc — o maior patamar do ano —, mas com Chicago pressionada para baixo pelo clima americano mais favorável. O retorno em reais depende da evolução simultânea de Chicago e câmbio: com dólar levemente mais fraco após o Fed e Chicago em queda, o retorno em reais recua em relação ao pico da semana passada. Consequentemente, a estratégia que o Portal AgroMais recomenda para encerrar julho é a mesma das últimas semanas: calcular o custo de carrego acumulado desde a colheita, comparar com o retorno atual (R$ 148,00 em Paranaguá menos o custo do frete até o porto), e realizar pelo menos parte do estoque se esse cálculo for positivo.
Nesse sentido, aguardar por uma recuperação de Chicago baseada na expectativa de novo calor no Corn Belt é uma aposta de Weather Market que pode funcionar ou não na próxima semana. O produtor que realizou parte do estoque na semana passada, quando Paranaguá estava a R$ 148,00/sc, tomou a decisão correta. Quem ainda tem posição relevante em armazém e quer realizar parte antes de agosto pode usar a abertura desta quinta-feira como referência — comparando com o fechamento de ontem para avaliar se o recuo de Chicago já se transmitiu nos preços físicos brasileiros.
O que muda na prática para o produtor
● Calcular o custo de carrego acumulado desde a colheita e comparar com R$ 148,00/sc em Paranaguá — se o retorno for positivo, considerar realização parcial hoje
● Monitorar a previsão climática do Corn Belt americano diariamente — chuvas reduzem prêmios de Chicago; calor persistente pode revertê-los
● Produtores de safra nova: o recorde da Abiove (115,4 mi t exportadas, 63,3 mi t processadas) sustenta o argumento para fixar parte da produção 2026/27
● Acompanhar o dólar ao longo do dia — câmbio mais fraco pós-Fed combina com Chicago em baixa para reduzir o retorno em reais
● Não realizar precipitadamente o restante do estoque na queda — o ciclo altista de médio prazo (6 a 12 meses) permanece conforme analistas da Safras & Mercado
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha as cotações de soja e os fundamentos de demanda global para o produtor nordestino.
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