Os futuros do milho na B3 receberam impulso de Chicago e subiram ao redor de 2% na terça-feira (28), com o vencimento março de 2027 se aproximando da marca de R$ 80 por saca — uma valorização expressiva em relação aos patamares do início do segundo semestre. O USDA revisou para baixo a produção mundial de milho em 2026/27 para 1,29 bilhão de toneladas, abaixo dos 1,30 bilhão da estimativa anterior, enquanto os estoques mundiais despencaram de 281,21 para 275,26 milhões de toneladas. Consequentemente, a conjunção de oferta global em queda com demanda estruturalmente crescente — o etanol de milho vai consumir 37,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 36% — está criando um ambiente de suporte robusto às cotações que analistas identificam como o principal driver altista de médio prazo para o cereal.
Nesse sentido, o milho fechou a primeira quinzena de julho cotado a R$ 64,3 por saca (alta de 1,9% frente ao fechamento de junho), segundo dados do Farmnews e do Agron. Com o vencimento março/27 apontando para R$ 80/sc na B3, o spread entre o preço físico atual e o futuro de seis meses é de aproximadamente R$ 16 por saca — um prêmio que reflete a expectativa do mercado de que demanda crescente e estoques em queda vão pressionar as cotações progressivamente ao longo do segundo semestre.
Por que os estoques globais em queda sustentam o milho por meses
A queda dos estoques globais de milho de 281 para 275 milhões de toneladas representa redução de quase 2% do estoque total mundial em um mês de revisão. Numa commodity em que a margem entre oferta e demanda é estreita, esse nível de revisão tem impacto desproporcional sobre as cotações. Combinado com a expansão do etanol que vai consumir 37,7 milhões de toneladas extras em 2026/27, o balanço oferta-demanda do milho global está progressivamente mais apertado. Consequentemente, o prêmio crescente que o vencimento março/27 está embutindo nas cotações da B3 é a antecipação desse aperto.
Nesse sentido, para o produtor nordestino de milho que planta em novembro, esse ambiente tem leitura direta: o mercado está pagando antecipadamente pelo milho de novembro-março, e esse preço é favorável. A decisão de fixar parte da produção prevista agora — com março/27 a caminho dos R$ 80/sc — é a gestão de risco mais eficiente disponível para garantir rentabilidade antes que a safra seja sequer plantada.
Como o produtor nordestino acessa o hedge sem corretora de futuros
O mercado futuro da B3 exige conta em corretora, margem de garantia e volume mínimo — barreiras que tornam o instrumento inacessível para a maioria dos produtores nordestinos de menor escala. Mas existem alternativas: o contrato de compra e venda antecipada com cooperativas locais ou frigoríficos que compram milho para ração própria permite ao produtor acertar hoje o preço e o volume para março, garantindo a receita sem acessar a B3 diretamente. A outra alternativa é o contrato a termo com tradings ou distribuidoras de grãos regionais. Consequentemente, para o produtor com maior escala, o Senar Ceará pode indicar cooperativas com acesso à B3.
Nesse sentido, a ação desta quarta é contatar a cooperativa ou trading da região e perguntar qual é o preço de compra antecipada de milho para entrega em fevereiro-março de 2027. Se próximo dos R$ 80/sc do vencimento março/27, o produtor tem em mãos a melhor janela de fixação disponível neste segundo semestre.
O que muda na prática para o produtor
● Contatar cooperativa local ou trading e verificar o preço de compra antecipada de milho para entrega fev-mar/2027
● Comparar o preço ofertado com o vencimento março/27 da B3 (perto de R$ 80/sc) como referência de paridade
● Fixar 30 a 50% da produção prevista de milho 2026/27 — proteger rentabilidade antes de plantar
● Pecuaristas que compram milho para ração: usar março/27 como indicador antecipado do custo de ração do 1º tri de 2027
● Verificar com o Senar Ceará (85) 3306-6600 cooperativas com acesso ao mercado futuro da B3 para produtores nordestinos
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha as cotações de milho e as perspectivas do etanol para o segundo semestre.
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