O levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuária em Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo IMEA e pelo Senar-MT, expõe uma realidade que o produtor nordestino precisa conhecer antes de agosto: os custos da safra 2026/27 subiram de forma expressiva em relação ao ciclo anterior, e os mesmos insumos que encarecem no Mato Grosso encarecem no Ceará. O custeio da soja foi estimado em R$ 4.315,29 por hectare para o MT — alta de 3,21% frente à safra 2025/26 —, impulsionado pelos maiores gastos com fertilizantes e corretivos (+5,40%) e defensivos (+10,97%). Para o milho, o impacto foi mais severo: custeio estimado em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% frente à safra passada, com o Custo Operacional Efetivo (COE) atingindo R$ 5.528,49/ha. O ponto de equilíbrio para cobrir o custeio aumentou 9,13% — e o IMEA alerta que ‘a atenção dos produtores se volta para a aquisição dos insumos remanescentes e para a comercialização da safra futura, uma vez que as margens da atividade seguem pressionadas’. Consequentemente, esse cenário de custos crescentes que o MT documenta é um espelho direto do que o produtor nordestino de milho e soja vai encontrar em agosto quando for fechar a compra de insumos.
Nesse sentido, a alta de 10,97% nos defensivos é o dado que mais preocupa no contexto nordestino: com o ciclo de pragas e doenças do semiárido potencialmente intensificado pelo Super El Niño do quarto trimestre, a quantidade de defensivos necessária para a safra 2026/27 não deve diminuir — o que significa que o produtor que comprar defensivos em agosto vai pagar 10,97% mais do que pagou na safra passada, sem margem de redução por economias de escala.
O impacto específico para o produtor nordestino de milho e soja
O produtor nordestino de milho enfrenta o mesmo custo crescente do MT com uma estrutura produtiva tipicamente menor — o que significa que a alta de 14,46% no custeio do milho impacta a margem proporcionalmente mais do que no produtor do MT, que tem escala para diluir o aumento. Com o milho ainda cotado em patamar favorável — vencimento março/27 próximo de R$ 80/sc na B3 —, o produtor que fixar parte da produção agora e comprar os insumos antes que a alta de 14,46% continue acelerando está protegendo a margem da safra 2026/27 com dois movimentos simultâneos: receita garantida e custo controlado. Para a soja, a alta de 3,21% no custeio é mais moderada, mas a pressão de fertilizantes (+5,40%) e defensivos (+10,97%) é igualmente real. Consequentemente, o produtor nordestino de soja que ainda não fechou a compra de fertilizantes para novembro está comprando num ambiente onde o Brent oscilou entre US$ 85 e US$ 98 nesta semana — com cada dia de atraso representando potencial exposição à alta geopolítica do Golfo.
Nesse sentido, a boa notícia que o IMEA traz junto com os custos crescentes é sobre o algodão: enquanto soja e milho têm custos em alta, o algodão apresenta redução de custos para a safra 2026/27 no MT — embora ainda registre o terceiro maior custo da série histórica. Para o produtor nordestino do Cariri que está avaliando o algodão como alternativa de diversificação com a tecnologia da Embrapa de Barbalha, esse contexto de custo estruturalmente menor do algodão em relação ao milho é um argumento adicional para a avaliação da cultura.
O que fazer com essa informação nos próximos 30 dias
A resposta prática do produtor nordestino ao alerta do IMEA sobre custos crescentes tem três frentes para agosto. A primeira é fazer a análise de solo da propriedade antes de comprar qualquer fertilizante: com fertilizantes 5,40% mais caros, cada quilograma comprado a mais (por superadubação sem diagnóstico) é um custo 5,40% maior sobre o desperdício. A análise de solo (custo de R$ 50-150 por amostra, resultado em duas a quatro semanas) é o instrumento que calibra exatamente o que comprar — eliminando o desperdício num ambiente de insumos pressionados. A segunda é fechar a compra de defensivos o mais cedo possível em agosto: com alta de 10,97% já documentada e El Niño aumentando potencialmente a pressão de pragas, esperar para comprar defensivos é apostar que não haverá nova alta — uma aposta de risco crescente. Consequentemente, a terceira frente é usar o crédito do Plano Safra 2026/27 para financiar a compra de insumos a taxas subsidiadas — evitando que os custos crescentes impactem o caixa da propriedade.
Nesse sentido, a Ematerce (0800 275 4111) e o Senar Ceará ((85) 3306-6600) oferecem orientação gratuita sobre análise de solo e manejo de pragas no semiárido — as duas ferramentas que reduzem o impacto dos custos crescentes de fertilizantes e defensivos sem reduzir a produtividade da lavoura.
O que muda na prática para o produtor
● Solicitar análise de solo à Ematerce (0800 275 4111) antes de comprar fertilizantes — com alta de 5,40%, eliminar o desperdício por superadubação é ação imediata de redução de custo
● Fechar a compra de defensivos o mais cedo possível em agosto — alta de 10,97% já documentada e El Niño pode intensificar a pressão de pragas no 4º trimestre
● Usar crédito do Plano Safra 2026/27 para financiar insumos a taxas subsidiadas — evitar que custos crescentes impactem o caixa da propriedade
● Produtores avaliando algodão no Cariri: o custo do algodão reduziu em relação ao milho para a safra 2026/27 — argumento adicional para visitar a Embrapa de Barbalha
● Fixar parte da produção de milho 2026/27 agora com março/27 próximo de R$ 80/sc — proteger margem com receita garantida antes de plantar
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha os custos de produção da safra 2026/27 e seus impactos para o produtor nordestino ao longo de agosto.
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