A Caravana Senhoras da Terra chega ao Ceará com uma missão clara: percorrer o estado inteiro para conectar mulheres rurais, valorizar suas histórias e fortalecer a formação de novas lideranças no campo. O projeto foi lançado oficialmente pela Federação da Agricultura do Estado do Ceará (FAEC) e pelo Senar-CE em março de 2026, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher.
O anúncio aconteceu na sede da FAEC, em um momento simbólico para o agronegócio cearense. O evento reuniu lideranças do setor, entre elas o presidente da federação, Amílca, e a vice-presidente, Candice. A iniciativa tem autoria de Ivaniza, integrante da entidade, que apresentou o projeto como uma resposta concreta à necessidade de ampliar o espaço da mulher dentro da estrutura do campo.
A viabilização da caravana passou pela aquisição de uma van pela FAEC/Senar. O veículo será o instrumento de deslocamento do projeto por todo o território cearense, levando às mulheres produtoras rurais atividades de capacitação, escuta e conexão institucional.
Um lançamento no ano certo para o campo feminino
O projeto nasce em um contexto de reconhecimento global. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reconheceu 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora. Essa definição coloca em evidência, pela primeira vez de forma tão direta, o papel das mulheres na produção de alimentos e no desenvolvimento das comunidades rurais ao redor do mundo.
No plano nacional, 2026 também é o ano do Censo Agropecuário brasileiro. O levantamento trará dados atualizados sobre a presença feminina no campo: quantas mulheres comandam propriedades rurais, em quais regiões estão concentradas e como contribuem para a cadeia produtiva. O cruzamento dessas duas iniciativas — o reconhecimento da FAO e os dados do Censo — cria um cenário inédito para projetos como a Caravana Senhoras da Terra ganharem relevância política e social.
Para a FAEC, o lançamento neste momento não é coincidência. A federação reafirma, com o projeto, o compromisso de fomentar a liderança sindical feminina e o desenvolvimento profissional das mulheres dentro das propriedades rurais.
O que muda na prática para as mulheres do campo no Ceará
A caravana não é apenas um projeto itinerante. É uma estrutura de alcance territorial. Ao percorrer o estado, o projeto leva presença institucional até onde as mulheres produtoras estão — muitas vezes em municípios distantes dos grandes centros, com acesso limitado a capacitação e representatividade.
O impacto esperado vai além do simbólico. Projetos com essa estrutura contribuem diretamente para o fortalecimento da representatividade feminina nos espaços de decisão do agronegócio: das associações rurais às cooperativas, passando pela gestão das propriedades e pela ocupação de cargos em entidades sindicais.
O Ceará, com sua diversidade territorial e produtiva, representa um campo fértil para esse tipo de iniciativa. Das serras às regiões semiáridas, passando pelo litoral e pelo sertão, o estado reúne mulheres que produzem, que gerem, que sustentam famílias e que, em muitos casos, ainda aguardam o reconhecimento que o trabalho delas merece.
A Caravana Senhoras da Terra chega para mostrar que o agro brasileiro tem rosto, tem história e tem liderança feminina. E que essas histórias precisam ser contadas — e ouvidas — em todo o Ceará.
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