A casca de coco entrou em uma nova etapa de avaliação como insumo energético no Ceará. A Diamante Energia realizou, em 14 de outubro, o primeiro teste industrial com biocarvão produzido a partir desse resíduo na usina termelétrica do Pecém. O material foi misturado ao carvão mineral e utilizado na caldeira de uma unidade geradora.
O teste, divulgado nesta terça-feira, resulta de um projeto desenvolvido com a Universidade Estadual do Ceará (Uece).
Uma mistura experimental
Foram utilizadas aproximadamente 1,5 tonelada de biocarvão e 148,5 toneladas de carvão mineral. Assim, o material de origem vegetal representou cerca de 1% da mistura em massa.
O projeto recebeu investimento de R$ 2,7 milhões por meio do programa de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ensaios laboratoriais apontaram características promissoras do biocarvão, mas os resultados em escala industrial ainda serão analisados.
Da destinação de resíduos a um possível mercado
O teste reuniu informações sobre moagem, estabilidade da combustão, cinzas e emissões. A empresa informou que avaliações complementares serão necessárias para determinar a viabilidade econômica e os ganhos ambientais.
Para a cadeia do coco, a possibilidade de transformar cascas em insumo industrial abre uma pergunta comercial: seria possível organizar coleta, processamento e fornecimento de biomassa em escala e a custo competitivo? O experimento representa um avanço técnico, ainda sem comprovar esse modelo de negócio.
O que muda na prática
- A cadeia do coco ganha um exemplo concreto de pesquisa sobre aproveitamento de resíduos.
- Empresas podem acompanhar uma possível demanda futura por biomassa processada.
- Qualquer decisão de investimento depende dos resultados técnicos e econômicos que ainda serão divulgados.
Próximos passos: verificar desempenho industrial, emissões, custos de processamento e logística de abastecimento.
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