Milho sobe 6% em agosto e inicia setembro com preços firmes

O mercado brasileiro de milho encerra agosto com uma sinalização importante para produtores e compradores. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa acumulou alta de quase 6% na parcial do mês, segundo atualização do Cepea divulgada nesta segunda-feira (31). O movimento ocorre mesmo com a colheita da segunda safra em fase final, período em que a entrada de produto costuma aumentar a oferta no mercado.

A sustentação das cotações mostra que o comportamento dos vendedores e a demanda estão pesando na formação de preços. Para o produtor, setembro começa com um cenário que exige atenção à comercialização, aos estoques e à relação entre preço disponível, frete e necessidade de caixa.

Oferta de safra não derrubou as cotações

Mesmo com o avanço da colheita, os preços ganharam força ao longo de agosto. O movimento indica que a disponibilidade física não está se traduzindo automaticamente em pressão baixista, especialmente diante da postura mais cautelosa de vendedores.

Demanda ajuda a sustentar o mercado

A procura pelo cereal continua relevante para indústrias de ração e demais consumidores. Quando compradores precisam recompor estoques e produtores limitam a oferta nos preços correntes, as negociações podem ganhar sustentação mesmo em período de entrada de safra.

Setembro começa com decisão de comercialização mais delicada

A alta de agosto não significa que o milho continuará subindo no mesmo ritmo. O produtor precisa acompanhar demanda, ritmo de vendas, exportações, câmbio e comportamento dos fretes antes de decidir entre vender, armazenar ou escalonar a comercialização.

Nordeste acompanha pelo custo da alimentação animal

Para o Ceará e o Nordeste, a valorização do milho merece atenção especial. O cereal é componente central das rações utilizadas na avicultura, suinocultura, bovinocultura leiteira e criação de caprinos e ovinos. Alta na origem combinada com frete pode pressionar ainda mais o custo da proteína animal.

O que muda na prática para o produtor

• Produtores com milho disponível devem comparar preço atual com custo de armazenagem e necessidade de caixa.

• Criadores precisam atualizar a planilha de custo da ração para setembro.

• Compradores devem acompanhar a disponibilidade regional e o comportamento dos fretes.

• A alta de agosto não deve ser projetada automaticamente para os próximos meses.

• No Nordeste, vale comparar fornecedores e estratégias de compra antecipada para reduzir exposição à volatilidade.

Próximos passos

Acompanhar as cotações nos primeiros dias de setembro, o ritmo de negociação entre produtores e compradores e novos dados sobre demanda doméstica e exportações.

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Jakeline Diógenes

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