O Sistema CNA-Senar está transformando a pecuária no semiárido nordestino com um modelo de produção baseado em forrageiras adaptadas à seca — elevando a produção de leite de produtores que antes conviviam com perdas severas durante os meses de estiagem. O Canal Rural documenta que a iniciativa, implementada pelos Senares estaduais do Nordeste, centra-se no uso de forrageiras nativas e adaptadas ao semiárido — palma forrageira, capim Buffel, gliricídia, sabiá e leucena — combinadas com técnicas de manejo intensivo que maximizam a produção por hectare mesmo em condições de escassez hídrica. O resultado documentado nos dias de campo promovidos pelo Senar Ceará, Senar Pernambuco e demais Senares nordestinos é a elevação da produção de leite mesmo nos meses mais críticos da seca — o que representa uma mudança estrutural em relação ao modelo de pecuária extensiva de sequeiro que predominava no semiárido. O momento desse programa não poderia ser mais estratégico para o produtor nordestino: o INMET confirmou nesta semana que o trimestre agosto-outubro vai ter déficit hídrico no Nordeste — exatamente quando o modelo de forrageiras adaptadas faz a maior diferença, sustentando o rebanho com forragem nativa que o pasto convencional não consegue oferecer. Consequentemente, o modelo de forrageiras adaptadas que o CNA-Senar está implementando no semiárido é a resposta estrutural mais sustentável disponível para o pecuarista nordestino que enfrenta a seca do El Niño de 2026.
Nesse sentido, a palma forrageira — uma cactácea adaptada ao semiárido que produz biomassa com altíssima eficiência hídrica, gerando nutrição para o rebanho mesmo sem chuva — é a forrageira mais impactante do modelo. Com produção de matéria seca de até 30 toneladas por hectare em ano seco (contra 2-5 t/ha do capim convencional no mesmo período), a palma é o diferencial que separa o pecuarista que mantém o rebanho na seca do que precisa vender animais abaixo do preço para reduzir o custo de suplementação.
As quatro forrageiras que transformam a pecuária no semiárido durante a seca
O modelo de forrageiras adaptadas que o CNA-Senar está implementando no semiárido nordestino tem quatro espécies-âncora que o produtor pode implantar com o crédito do Plano Safra 2026/27. A primeira e mais impactante é a palma forrageira: disponível nas variedades IPA Sertânia, Miúda e Orelha de Elefante, é a forrageira com maior eficiência hídrica disponível para o semiárido — produz biomassa durante a seca quando tudo mais murcha, e é a base da ração do rebanho nos meses de escassez. A segunda é o capim Buffel (Cenchrus ciliaris): gramínea adaptada ao semiárido que tolera a seca com dormência e rebrotação rápida após as primeiras chuvas — ideal para pastagem de sequeiro nas regiões mais áridas do Ceará. A terceira é a gliricídia (Gliricidia sepium): leguminosa arbustiva com alto teor proteico nas folhas, tolerante à seca e que pode ser usada como banco de proteína para o rebanho durante a estiagem. A quarta é o sabiá (Mimosa caesalpiniifolia): leguminosa nativa da caatinga com alto valor nutricional que os caprinos e ovinos consomem naturalmente. Consequentemente, o pecuarista nordestino que implanta um sistema forrageiro com palma, Buffel, gliricídia e sabiá tem uma base de alimentação do rebanho que funciona durante a seca com custo muito inferior à compra de ração e suplemento mineral no mercado.
Nesse sentido, a Embrapa Semiárido (em Petrolina-PE) e a Embrapa Caprinos e Ovinos (em Sobral-CE) publicam regularmente tecnologias de manejo das quatro forrageiras adaptadas — disponíveis gratuitamente em embrapa.br/semiarido e embrapa.br/caprinos-e-ovinos. O Senar Ceará ((85) 3306-6600) oferece cursos de implantação de palma forrageira e de manejo integrado de pastagens nativas — o primeiro passo para o pecuarista nordestino que quer implementar o modelo.
Como o produtor nordestino acessa o crédito para implantar o modelo de forrageiras adaptadas
O Plano Safra 2026/27 tem linhas de crédito específicas para a implantação de sistemas forrageiros adaptados ao semiárido nordestino. A linha de pastagem — disponível no BNB com taxa de 8,5% ao ano — financia a implantação de palma forrageira, capim Buffel, gliricídia e sabiá, além de cercamento e infraestrutura hídrica de suporte. A linha de investimento em pecuária — que inclui a construção de paióis para armazenagem de palma e de estruturas de manejo — permite ampliar a infraestrutura de suporte ao sistema forrageiro. Para o produtor da agricultura familiar, o Pronaf Investimento — com taxas de 1% a 6% ao ano dependendo do perfil — financia o mesmo conjunto de investimentos com custo de crédito significativamente menor. O processo de contratação requer CAR em situação regular no Sicar, CCIR atualizado no INCRA e DAP/CAF emitida pela Ematerce — as três pendências mais comuns que bloqueiam o crédito no BNB, todas com solução gratuita via Ematerce (0800 275 4111). Consequentemente, o pecuarista nordestino que vai ao BNB esta semana com o CAR, o CCIR e a DAP/CAF em situação regular pode contratar o crédito de pastagem (8,5% ao ano) e iniciar a implantação da palma forrageira ainda em agosto — a forrageira que vai fazer a diferença na próxima estiagem.
Nesse sentido, a 33ª Agrinordeste de 3 a 6 de setembro vai trazer especialistas em forrageiras adaptadas ao semiárido nos seminários técnicos de bovinocultura e caprinovinocultura — e é o evento onde o pecuarista nordestino pode conversar diretamente com quem faz a pesquisa de campo sobre as variedades mais produtivas para o seu tipo de solo e de rebanho.
O que muda na prática para o produtor
- Implantar palma forrageira nas áreas disponíveis ainda em agosto — a forrageira com maior eficiência hídrica do semiárido que sustenta o rebanho durante a seca com custo muito inferior à compra de ração
- Verificar com o Senar Ceará (85) 3306-6600 os próximos cursos de implantação de palma forrageira e manejo integrado de pastagens nativas disponíveis para o semiárido cearense
- Contratar a linha de pastagem do Plano Safra 2026/27 (8,5% ao ano) no BNB para financiar a implantação de palma, Buffel, gliricídia e sabiá — levar CAR, CCIR e DAP/CAF (Ematerce: 0800 275 4111)
- Consultar embrapa.br/semiarido para as publicações técnicas gratuitas sobre manejo de palma forrageira e capim Buffel nas condições do semiárido cearense
- Ir à 33ª Agrinordeste de 3 a 6/09 em Pernambuco para acessar os especialistas em forrageiras adaptadas nos seminários de bovinocultura e caprinovinocultura — entrada gratuita
Próximos passos
O Portal AgroMais acompanha o modelo de forrageiras adaptadas ao semiárido e o programa CNA-Senar de transformação da pecuária nordestina.
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