Profert no Senado: produção nacional de fertilizante muda a safra

O Senado Federal analisa nesta terça-feira (11 de agosto) o Profert — projeto de incentivo à produção nacional de fertilizantes, conforme o Agrolink. O projeto, que está na pauta desta semana, tem potencial de transformar estruturalmente o custo de produção da safra brasileira ao longo dos próximos anos. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome — com dependência crítica de ureia (nitrogênio), fosfato e potássio —, e qualquer perturbação na cadeia de fornecimento global eleva imediatamente o custo dos insumos. A guerra na Ucrânia em 2022 elevou o custo dos fertilizantes em mais de 100% em alguns momentos, e as tensões no Golfo Pérsico de 2026 mantiveram a atenção do mercado sobre a cadeia de abastecimento de ureia produzida com gás natural. O Profert propõe incentivos fiscais e creditícios para a instalação e expansão de plantas de fertilizantes no Brasil — incluindo plantas de ureia a partir do gás natural do pré-sal, plantas de fosfato aproveitando as reservas nacionais e plantas de potássio nos estados do Amazonas e Minas Gerais. Consequentemente, a aprovação do Profert no Senado nesta semana seria o início do processo de construção da soberania nacional em fertilizantes — que o setor agrícola brasileiro demanda há décadas.

Nesse sentido, para o produtor nordestino que viu os custos de fertilizantes subirem 14,46% para o milho em 2026, o Profert é uma das políticas públicas de longo prazo com maior impacto potencial sobre a competitividade da lavoura brasileira — especialmente no semiárido, onde o custo logístico dos fertilizantes importados é ainda mais alto do que na média nacional por conta da distância dos portos e dos centros de distribuição.

O que o Profert propõe e qual o impacto potencial para o custo da safra nordestina

O Profert (Programa Nacional de Fertilizantes) tem como objetivo central reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados de 85% para menos de 50% nos próximos 10 anos, com metas intermediárias de 45% de produção nacional até 2030. Para alcançar esse objetivo, o projeto propõe incentivos fiscais para empresas que investirem em plantas de produção de fertilizantes no Brasil — incluindo isenções de IPI e PIS/Cofins sobre equipamentos importados para instalação das plantas, crédito subsidiado do BNDES para projetos de investimento e marcos regulatórios que facilitem o aproveitamento das reservas nacionais de matérias-primas. O impacto sobre o custo da safra nordestina seria gradual mas estrutural: com mais produção nacional de ureia, fosfato e potássio, o produtor brasileiro — incluindo o nordestino — seria menos exposto às oscilações dos preços internacionais de fertilizantes, que são atualmente a principal fonte de imprevisibilidade no custo de produção. Consequentemente, para a safra 2026/27 com plantio em novembro, o Profert ainda não tem impacto imediato — mas o produtor nordestino que acompanha a votação no Senado está monitorando uma política pública que vai reduzir progressivamente o custo estrutural das safras futuras.

Nesse sentido, o Agrolink também aponta que as exportações de algodão brasileiras somaram US$ 262 milhões em julho, com embarques devendo ganhar força em setembro — confirmando que o algodão do MATOPIBA nordestino está num ciclo de expansão de exportações que complementa a soja e o milho na diversificação das receitas dos produtores da região.

O custo dos fertilizantes e a safra 2026/27 nordestina — o que fazer agora

Enquanto o Senado vota o Profert, o produtor nordestino que está planejando a safra 2026/27 com plantio em novembro precisa agir agora com os preços de fertilizantes disponíveis no mercado regional — que o Portal AgroMais vem recomendando fechar ainda em agosto para evitar a pressão de preços de setembro e outubro. A compra antecipada de fertilizantes em agosto é a ação mais direta disponível para o produtor nordestino minimizar o impacto da alta de insumos sobre a rentabilidade da safra 2026/27 — independentemente do resultado da votação do Profert no Senado. A lógica é simples: os fertilizantes que o produtor vai usar em novembro já estão no Brasil e nos distribuidores regionais hoje. O preço de hoje é o que o produtor consegue travar com um pedido antecipado. O preço de setembro e outubro vai refletir a demanda crescente de todos os produtores que deixaram para comprar na última hora. Consequentemente, o produtor nordestino que fecha a compra de fertilizantes esta semana, aproveitando a janela de preços de agosto antes da pressão de setembro, está executando o planejamento de custo que vai determinar a rentabilidade da safra 2026/27 meses antes do plantio.

Nesse sentido, o Senar Ceará ((85) 3306-6600) e os distribuidores regionais de insumos podem orientar sobre as formulações de adubo mais adequadas para o tipo de solo e a cultura da safra 2026/27 — com base na análise de solo que o Portal AgroMais recomendou solicitar à Ematerce (0800 275 4111) ao longo de agosto.

O que muda na prática para o produtor

– Fechar a compra de fertilizantes para a safra 2026/27 esta semana — o preço de agosto é mais competitivo que o de setembro e outubro, quando a demanda cresce com a proximidade do plantio

– Acompanhar a votação do Profert no Senado hoje — a aprovação inicia o processo de construção da soberania nacional em fertilizantes com impacto progressivo sobre o custo das safras futuras

– Verificar com o distribuidor regional de insumos as formulações de fertilizante recomendadas para o tipo de solo e a cultura de novembro — com base na análise de solo solicitada à Ematerce

– Produtores de algodão do MATOPIBA nordestino: o dado de exportações de algodão crescendo 21% no 1º semestre de 2026 reforça a diversificação de culturas como estratégia de renda complementar à soja

– Acompanhar o Profert nos próximos meses como política pública de longo prazo que vai reduzir progressivamente o custo estrutural dos fertilizantes para as safras 2027/28 em diante

Próximos passos

O Portal AgroMais acompanha o Profert e as políticas públicas de custo de insumos para o produtor nordestino.

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Jakeline Diógenes
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