A semana de 21 a 25 de julho de 2026 foi, para o produtor nordestino, a semana mais densa em eventos simultâneos de todo o segundo semestre — e possivelmente do ano. Em cinco dias úteis, o cenário reuniu: a tarifa americana de 25% entrando em vigor na quarta (22), com mel e camarão isentos e uva com sobretaxa de 35%; o petróleo bruto subindo de US$ 93 para US$ 98 com duplo bloqueio no Ormuz e no Bab el-Mandeb; a soja acumulando R$ 16/sc de ganho em quatro meses com Paranaguá atingindo R$ 142,65/sc nesta sexta; o governo federal intensificando articulações com o agronegócio sem retaliação imediata; o bloqueio atmosférico confirmando a seca no semiárido para o terceiro trimestre; e o encerramento da Expocrato 2026, cujo balanço de negócios deve confirmar ou superar a meta histórica de R$ 150 milhões. Consequentemente, o produtor que chegou ao final desta semana com fertilizantes comprados, crédito do Plano Safra contratado, forragem garantida e documentação da MP 1.376 em andamento está em posição radicalmente diferente — e mais vantajosa — do que o que começa segunda-feira com essas decisões em aberto.
Nesse sentido, o Portal AgroMais encerra a semana com um olhar para frente: o que o segundo semestre ainda reserva para o campo nordestino, e quais são as decisões que vão definir a rentabilidade da safra 2026/27.
O que ficou resolvido e o que ainda está em aberto
Ficou resolvido nesta semana: a posição do mel e do camarão nordestinos diante da tarifa americana (isentos — uma confirmação positiva); o patamar de preços da soja em julho (maior média mensal do ano, com R$ 16/sc de ganho em quatro meses); e o cenário climático do terceiro trimestre para o semiárido (bloqueio atmosférico confirma seca — sem surpresas, mas com urgência de ação). Consequentemente, ainda está em aberto: a regulamentação da MP 1.376 (prazo até novembro, mas documentação precisa ser organizada agora); a resolução do conflito EUA-Irã e o impacto sobre os fretes de fertilizantes (sem prazo previsível); e o impacto da tarifa americana sobre o câmbio nas próximas semanas (a variável de maior incerteza).
Nesse sentido, as decisões que o produtor nordestino ainda pode tomar na próxima semana (27 a 31 de julho) com impacto positivo garantido: finalizar a compra de fertilizantes para a safra 2026/27 antes que o Brent e o câmbio se movam mais; contratar o crédito do Plano Safra 2026/27 para irrigação e pastagem junto ao BNB antes que o Zarc restrinja janelas; garantir o estoque de forragem para três meses antes que a seca eleve os preços em agosto; iniciar o laudo técnico de perdas de safra para a MP 1.376 com Ematerce ou Senar Ceará; e fazer a análise de solo da propriedade para comprar apenas o fertilizante que o solo precisa — num ambiente em que cada tonelada de fertilizante desnecessária tem custo real e crescente.
O que o 2º semestre ainda tem pela frente — o mapa das próximas decisões
O segundo semestre de 2026 tem, de julho a dezembro, um calendário de decisões que o Portal AgroMais vai acompanhar semana a semana. Em agosto: pico da seca no semiárido, compra de fertilizantes e sementes para novembro, vermifugação e vacinação do rebanho, e acompanhamento da regulamentação da MP 1.376. Em setembro: verificação dos reservatórios antes do plantio, fechamento dos contratos de insumos, e início do posicionamento para a safra 2026/27. Em outubro: pico do El Niño no quarto trimestre, maior pressão sobre o rebanho, e preparação final do solo antes do plantio. Em novembro: primeiras chuvas e abertura da janela de plantio da safra 2026/27 de feijão e milho no semiárido. Em dezembro: consolidação do plantio e avaliação das primeiras condições da lavoura recém-emergida. Consequentemente, o produtor que planejou cada uma dessas etapas em julho estará gerenciando, não reagindo, ao longo do segundo semestre.
Nesse sentido, o Portal AgroMais encerra esta semana com a mesma mensagem que começou segunda-feira: 2026 não é um ano de esperar para ver. É um ano em que cada semana de antecipação nas decisões de planejamento faz diferença concreta sobre a rentabilidade da propriedade. A semana que começa na segunda-feira (27 de julho) tem novas janelas — e o produtor que age cedo tem as melhores.
O que muda na prática para o produtor
- Semana de 27 a 31/07: finalizar compra de fertilizantes para a safra 2026/27 antes que Brent e câmbio se movam mais
- Contratar crédito do Plano Safra 2026/27 para irrigação (8%) e pastagem (8,5%) junto ao BNB antes que o Zarc restrinja janelas de plantio
- Garantir estoque de forragem para 3 meses de seca antes que a escassez de agosto eleve os preços
- Iniciar o laudo técnico de perdas de safra para a MP 1.376 com Ematerce (0800 275 4111) ou Senar Ceará ((85) 3306-6600)
- Fazer a análise de solo da propriedade agora — resultado em 2 a 4 semanas, em tempo para calibrar a compra de fertilizantes para novembro
Próximos passos
O Portal AgroMais retoma na segunda-feira (27 de julho) com radar, matérias e legendas — acompanhando o produtor nordestino semana a semana ao longo do 2º semestre de 2026.
🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.
👉 www.portalagromais.com.br







