O Brasil deu um passo importante rumo à soberania na produção de insumos agrícolas. A Petrobras celebrou oficialmente a retomada do mercado nacional de fertilizantes com as operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, com visita do presidente Lula em 14 de maio. A unidade voltou a produzir ureia em janeiro de 2026, após seis anos hibernada, com investimento de R$ 100 milhões — e já opera com 90% de sua capacidade instalada.
A produção atual da Fafen-BA é de 1.300 toneladas diárias de ureia, o que representa cerca de 5% da demanda nacional. Antes dessas iniciativas, 100% da ureia consumida no Brasil era importada.
Retomada do mercado: O mapa da produção nacional de fertilizantes
A Fafen-BA não está sozinha. A Petrobras reativou a Fafen-SE (Sergipe) em dezembro de 2025 e a Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, em abril de 2026, com investimento de R$ 870 milhões e capacidade de 720 mil toneladas anuais de ureia (8% do mercado nacional). Somadas as três unidades, a Petrobras já responde por cerca de 20% da demanda nacional de ureia.
O próximo passo é a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), prevista para 2029. Com ela, a Petrobras deve cobrir 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados — meta anunciada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante a visita de Lula à Fafen-BA.
A viabilidade econômica das plantas foi possível após a redução do preço do gás natural, que caiu de cerca de US$ 16 para entre US$ 6 e US$ 7 por milhão de BTU no mercado livre — tornando a produção de ureia competitiva novamente.
O impacto para o Nordeste
Para o agronegócio nordestino, a retomada do mercado nacional de fertilizantes tem significado especial. A Fafen-BA e a Fafen-SE são as únicas unidades produtoras de fertilizantes nitrogenados do Nordeste — o que significa que, pela primeira vez em anos, a região volta a contar com oferta local de ureia.
A Agrimidia destaca que a retomada tem efeito direto sobre cadeias que dependem fortemente desses insumos, como a produção de grãos utilizados na ração de aves e suínos — cadeias com forte presença no Nordeste, especialmente no Ceará. A redução gradual da dependência de ureia importada pode contribuir para estabilizar os custos de produção no médio prazo.
Retomada do mercado: Soberania de insumos como política de Estado
Lula foi enfático durante a visita à Fafen-BA: ‘O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes.’ O discurso reflete uma preocupação estrutural do agronegócio nacional: o Brasil é o quarto maior consumidor global de fertilizantes, responsável por 8% de todo o fertilizante utilizado no mundo, mas importa entre 85% e 90% do que consome.
Essa dependência ficou exposta de forma dramática durante as perturbações logísticas causadas pelos conflitos no Estreito de Ormuz e pela guerra na Ucrânia. A retomada das Fafens é a primeira resposta concreta do Estado brasileiro a essa vulnerabilidade estrutural.
O que muda na prática para o produtor
- No médio prazo, a oferta crescente de ureia nacional deve contribuir para estabilizar os preços do insumo — positivo especialmente para produtores de milho, soja e cana no Nordeste
- Avicultores e suinocultores cearenses, que dependem de ração à base de milho, podem se beneficiar indiretamente da redução dos custos de produção do cereal
- A retomada das Fafens ainda não resolve a dependência de curto prazo — o Brasil ainda importa 80% dos fertilizantes. Gestão eficiente de estoques de insumos continua sendo prioritária
- Produtores que participam de cooperativas têm mais poder de negociação para compra antecipada de fertilizantes a preços melhores
- Acompanhar o progresso da UFN-III em Três Lagoas (MS) — quando entrar em operação em 2029, será o maior salto na capacidade nacional de ureia
Próximos passos
A UFN-III, em construção em Três Lagoas (MS), é o próximo grande passo na expansão da produção nacional de fertilizantes. A conclusão está prevista para 2029. O Ministério de Minas e Energia deve divulgar cronograma atualizado nos próximos meses.
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