Cajucultura cearense precisa de renovação urgente para aproveitar o Mercosul-UE

O Ceará é o maior produtor nacional de caju. Mas a cajucultura cearense vive um paradoxo que precisa ser resolvido com urgência: a produção e a produtividade vêm caindo há anos, justamente quando o mercado internacional nunca esteve tão aberto para o produto. Com o acordo Mercosul-UE em vigor desde 1º de maio, a amêndoa de caju e os derivados têm potencial real de conquistar o mercado europeu — mas para isso o Ceará precisa, antes de tudo, produzir mais e melhor.

O diagnóstico está claro, segundo análise do Diário do Nordeste: o principal problema é a idade avançada do cajueiral de copa larga, que perdeu produtividade e está sendo cortado para uso como lenha na indústria ceramista local — um uso de baixíssimo valor agregado para uma cultura com potencial de exportação premium.

Cajucultura: O que está causando a queda da produção

O cajueiral cearense é, em grande parte, antigo. As plantas de copa larga que dominam os pomares têm décadas de vida e produtividade muito abaixo do potencial das variedades modernas. Sem renovação, o rendimento por hectare cai a cada safra.

A solução técnica existe e está disponível: o cajueiro-anão-precoce, desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical, tem produtividade significativamente maior do que o cajueiro comum, adapta-se bem ao clima do semiárido e permite colheita mecanizada — o que reduz o custo de mão de obra e aumenta a competitividade do produto final.

O problema é que a renovação exige investimento, planejamento e tempo. Uma planta de cajueiro-anão-precoce leva de três a quatro anos para atingir plena produção. Para o produtor que já está com rentabilidade baixa, fazer esse investimento sem apoio de crédito e assistência técnica é difícil.

Cajucultura: A oportunidade aberta pelo Mercosul-UE

O acordo Mercosul-UE incluiu a amêndoa de caju e os derivados na lista de produtos com desgravação tarifária progressiva. A Europa é um mercado crescente para snacks saudáveis e ingredientes naturais — e o caju se encaixa perfeitamente nesse perfil.

O presidente da Faec, Amílcar Silveira, já citou a cajucultura como uma das cadeias com maior potencial de crescimento nas exportações cearenses para a Europa. Mas o potencial só se converte em receita se a produção crescer. E para crescer, o cajueiral precisa ser renovado.

Cajucultura: O que precisa acontecer

A renovação do cajueiral cearense exige uma ação coordenada entre o governo estadual, a Embrapa, o BNB e os produtores. As principais medidas apontadas pelos especialistas incluem: linhas de crédito específicas para replantio com mudas de cajueiro-anão-precoce, assistência técnica para orientar os produtores na transição, e políticas de seguro rural que protejam o produtor durante os anos de implantação — quando ainda não há produção para gerar receita.

O tema deve pautar o debate no Cresce Ceará de 21 de maio e no Coalizão Agro em junho. É uma janela de tempo limitada: o Mercosul-UE está em vigor agora, e os concorrentes de outros países já estão se movendo para ocupar o espaço no mercado europeu.

O que muda na prática para o produtor

  • Produtores de caju com cajueiral velho devem avaliar o custo-benefício do replantio com cajueiro-anão-precoce — a Embrapa Agroindústria Tropical tem orientação técnica disponível
  • Linhas de crédito do BNB e do Pronaf podem financiar o replantio — consultar as condições antes de qualquer decisão
  • A certificação de origem e de produção sustentável amplia o valor da amêndoa cearense no mercado europeu — vale investir na rastreabilidade desde o início
  • Cooperativas de cajucultores têm mais força para negociar preços e acessar mercados internacionais do que produtores individuais
  • O tempo é um fator crítico: cajueiro-anão-precoce leva 3-4 anos para produzir — quem plantar agora começa a colher os frutos do Mercosul-UE a partir de 2029-2030

Próximos passos

O tema da cajucultura deve estar na pauta do Cresce Ceará (21/05) e do Coalizão Agro (10-11/06 em Limoeiro do Norte). A Embrapa Agroindústria Tropical, sediada em Fortaleza, é a referência técnica nacional para o desenvolvimento de variedades e tecnologias para a cadeia do caju.

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Jakeline Diógenes
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