O governo federal intensificou as articulações com representantes da indústria e do agronegócio nesta quinta-feira (23 de julho), no primeiro dia útil após a entrada em vigor da tarifa americana de 25% sobre exportações brasileiras. A equipe econômica avalia medidas para reduzir os impactos sobre os setores afetados e acompanha de perto as negociações diplomáticas conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores com Washington. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que, embora alguns segmentos possam sentir os efeitos da medida, o impacto sobre a balança comercial brasileira tende a ser limitado — porque boa parte das exportações do país é destinada a outros mercados, especialmente a China, que reduziu a dependência do mercado norte-americano. Consequentemente, a estratégia do governo passa por três frentes simultâneas: negociação diplomática para reduzir o escopo das tarifas; abertura acelerada de novos mercados alternativos; e apoio específico aos setores mais atingidos, como açúcar, madeira e arroz. Nesse sentido, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a tarifa como injusta e descabida, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, projetou impacto limitado sobre a economia como um todo. A postura do governo de manter os canais diplomáticos sem retaliação imediata é consistente com a avaliação de que o Brasil tem mais a perder com uma guerra comercial do que com a negociação — especialmente num momento em que o país está prestes a superar os EUA como maior exportador agrícola do mundo. O que as articulações do governo significam na prática para o produtor nordestino Para o produtor nordestino, a intensificação das articulações do governo federal com o agronegócio tem dois significados práticos distintos. O primeiro é que os setores mais afetados — açúcar, arroz, madeira — estão sendo priorizados nas negociações e podem receber medidas compensatórias de crédito ou apoio de mercado nas próximas semanas. O segundo, igualmente relevante, é que os produtos nordestinos que estão isentos da tarifa — mel, camarão, carne bovina e café — não precisam dessas medidas de apoio, porque seu acesso ao mercado americano não foi afetado. Consequentemente, a articulação do governo é mais urgente para os setores de açúcar e madeira do Centro-Sul do que para a pauta exportadora nordestina — o que significa que o produtor nordestino pode manter seu foco nas questões climáticas e de custo de insumos sem aguardar desdobramentos políticos em Brasília. Nesse sentido, o risco que o produtor nordestino que não exporta diretamente precisa monitorar — o câmbio — não é gerenciado pelas articulações do governo: ele é definido pelo mercado financeiro em resposta ao risco percebido da disputa comercial. Se as negociações diplomáticas avançarem positivamente nos próximos dias, o câmbio pode se apreciar — reduzindo o custo de fertilizantes em reais. Se escalarem, pode se depreciar — elevando o custo. Em ambos os cenários, o produtor que comprou fertilizantes antes de amanhã está protegido. O que aguardou o desfecho político ainda está exposto. A diversificação de mercados como resposta estrutural — e o papel do Nordeste A aceleração da abertura de novos mercados que o governo sinaliza como resposta às tarifas americanas é uma oportunidade estrutural para o agronegócio nordestino. O Acordo Mercosul-UE, em processo de ratificação, pode oferecer condições preferenciais crescentes para produtos brasileiros — e o Nordeste, com mel isento de tarifas europeias, camarão com rastreabilidade crescente e frutas tropicais com 20% mais receita no 1º semestre de 2026, está bem posicionado para capturar essa oportunidade. Consequentemente, o governo que hoje articula resposta às tarifas americanas está, ao mesmo tempo, abrindo rotas alternativas que beneficiam diretamente os exportadores nordestinos. Nesse sentido, o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE é o instrumento mais acessível para o produtor nordestino que quer aproveitar esse momento de diversificação geográfica das exportações. As certificações que o programa apoia — FDA para camarão e mel, rastreabilidade para frutas, boas práticas apícolas — são os passaportes de acesso aos mercados que o governo está priorizando como alternativa aos EUA. O produtor que iniciar esse processo agora chega ao mercado europeu e asiático no momento em que o Brasil está sendo mais buscado como fornecedor confiável de alimentos. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha as negociações diplomáticas EUA-Brasil e os impactos da tarifa americana para o agronegócio nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Bem-estar animal vira pilar de rentabilidade — relatório COBEA e o produtor nordestino
O bem-estar animal deixou de ser um tema restrito ao campo técnico e se tornou um ativo estratégico na nova ordem econômica global — e os dados confirmam a afirmação. O relatório Bem-Estar Animal na Cadeia Produtiva Brasileira: Evolução e Ambições para o Futuro, publicado pela COBEA (Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal) e lançado em maio de 2026 em São Paulo, demonstra que granjas brasileiras que adotam práticas mais responsáveis já colhem resultados superiores em eficiência zootécnica: menor mortalidade, melhor conversão alimentar e maior estabilidade produtiva ao longo do ano. O Brasil é o terceiro maior produtor e o maior exportador de frango de corte do mundo — com 5,706 bilhões de frangos abatidos em 2026 — e o maior produtor de proteína animal do planeta. Consequentemente, as práticas de bem-estar animal que este relatório documenta não são apenas um compromisso ético com os animais: são um diferencial competitivo de primeira ordem para o acesso a mercados europeus e americanos cada vez mais exigentes com rastreabilidade e sustentabilidade. Nesse sentido, a diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, sintetizou o que o relatório comprova: o Brasil, como maior produtor de proteína animal do mundo, tem um potencial enorme de liderar o tema de bem-estar animal globalmente — mas isso exige que as práticas saiam da bolha técnica e se tornem parte da estratégia de negócios de cada propriedade, grande ou pequena. E como o relatório é claro ao afirmar, nenhuma empresa isoladamente resolve esses desafios: é necessária articulação entre produtores, indústria, varejo, consumidores, sociedade civil e academia. O que o relatório comprova sobre avicultura, suinocultura e bovinocultura Na avicultura de postura — onde o Brasil registrou mais de 62 bilhões de ovos produzidos em 2025 —, o relatório da COBEA documenta crescimento consistente dos sistemas alternativos às gaiolas convencionais: cage-free, caipira e orgânico estão avançando em resposta às demandas de compradores internacionais e redes varejistas domésticas. As granjas que adotam enriquecimento ambiental, controle de densidade e auditorias independentes apresentam menor mortalidade e maior estabilidade de postura ao longo do ano. Consequentemente, na avicultura de corte — onde o Brasil é o maior exportador mundial —, o movimento gradual de adoção de práticas alinhadas ao bem-estar é mais evidente em cadeias integradas e empresas de maior porte, enquanto a cobertura de granjas auditadas de forma independente ainda é limitada em escala nacional. Nesse sentido, na bovinocultura, o tema do bem-estar animal apresenta oportunidades crescentes especialmente no segmento de exportação para a UE — que já vem exigindo padrões mínimos de manejo, transporte e abate. Para o pecuarista nordestino que quer acessar mercados premium para a carne bovina — seja internamente via selos de qualidade ou externamente via exportação —, a conformidade com práticas básicas de bem-estar animal está progressivamente deixando de ser opcional e passando a ser pré-requisito de acesso. Bem-estar animal no semiárido nordestino — a dimensão climática do El Niño Para o produtor nordestino, o bem-estar animal tem uma dimensão adicional que o relatório da COBEA menciona mas que o contexto climático de 2026 torna especialmente urgente: o estresse térmico. Com o El Niño projetando pico de anomalias de +3°C a +4°C no quarto trimestre e o bloqueio atmosférico desta semana confirmando déficit hídrico e calor acima da média no semiárido, os animais sob estresse térmico — avícolas, caprinos, ovinos, bovinos — apresentam queda de produção, menor conversão alimentar e maior suscetibilidade a parasitas e doenças. Consequentemente, as práticas de bem-estar animal que o relatório da COBEA recomenda — ventilação adequada, controle de densidade, acesso irrestrito à água, sombreamento, enriquecimento ambiental — são simultaneamente conformidade ética e proteção da produtividade da propriedade no ambiente de calor extremo que o El Niño vai trazer. Nesse sentido, o produtor nordestino que investe agora em estruturas de sombreamento, bebedouros adicionais e ventilação nos galpões e currais não está gastando em bem-estar animal como conceito abstrato — está reduzindo a mortalidade, melhorando a conversão alimentar e protegendo a rentabilidade da propriedade nos meses mais críticos do segundo semestre. É a mesma lógica que o relatório da COBEA comprova com dados de granjas paulistas e gaúchas — aplicada ao contexto específico do semiárido cearense no El Niño de 2026. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha o bem-estar animal como componente da produtividade e da competitividade do agronegócio nordestino. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br
Petróleo atinge US$ 98 com duplo bloqueio no Golfo— fertilizantes em risco máximo
O petróleo bruto atingiu US$ 98 por barril nesta quinta-feira (23 de julho), acumulando alta de 41% no ano, após os Estados Unidos completarem seu décimo segundo dia consecutivo de ataques a alvos no Irã. A escalada geopolítica aprofundou-se com uma novidade que amplifica o impacto sobre as cadeias de energia globais: desde 20 de julho, os Houthis do Iêmen — aliados do Irã — decretaram bloqueio marítimo à Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, bloqueando a principal rota alternativa ao Ormuz para o escoamento do petróleo saudita. Com o Secretário de Estado Marco Rubio declarando que o Irã não está sendo sério nas negociações, o mundo enfrenta simultaneamente os dois principais corredores marítimos de energia do Golfo comprometidos — uma situação sem precedentes que o Goldman Sachs projeta podendo levar o Brent a ultrapassar US$ 120 no quarto trimestre de 2026. Consequentemente, o patamar de US$ 98 acumulado em doze dias de conflito representa uma alta superior ao nível observado no auge da crise energética de 2022 — e os mercados de fertilizantes, que dependem das rotas do Golfo, já começam a incorporar esse risco nos fretes e nas cotações. Nesse sentido, a alta acumulada de 41% no preço do barril desde o início do ano — quando o Brent estava em torno de US$ 69-70 — reflete a progressão do conflito em fases: o início dos ataques americanos ao Irã em fevereiro, as tentativas de cessar-fogo em março e abril, o memorando de entendimento de junho (que foi rompido duas semanas antes), e a retomada das hostilidades com intensidade crescente desde meados de julho. Cada fase de escalada adicional adiciona um novo patamar ao preço do petróleo — e a fase atual, com os dois corredores do Golfo simultâneos comprometidos, representa o cenário de risco mais severo para o custo de energia e fertilizantes que o Brasil e o agronegócio nordestino já enfrentaram. Como o barril a US$ 98 chega ao custo de produção da lavoura nordestina A conexão entre o preço do barril e o custo de produção da lavoura nordestina tem três caminhos distintos e simultâneos. O primeiro é direto: o diesel usado em máquinas agrícolas, motobombas de irrigação e transportes rurais fica mais caro quando o petróleo sobe — e o produtor que irriga com energia térmica sente o impacto na conta de combustível imediatamente. O segundo é via fertilizantes: a ureia, o fertilizante nitrogenado mais usado no Brasil, é produzida a partir do gás natural — e boa parte do gás natural exportado para a produção de ureia destinada ao Brasil vem do Golfo Pérsico, cuja saída está comprometida pelos bloqueios simultâneos. Consequentemente, com o Brasil importando 80% da ureia que consome e dependendo de rotas que passam pelo Ormuz e pelo Bab el-Mandeb, cada dia de conflito adicional pressiona fretes, reduz disponibilidade e eleva o custo unitário da tonelada de fertilizante nos portos brasileiros. Nesse sentido, o terceiro caminho é via câmbio: quando o petróleo sobe e a aversão ao risco global aumenta, o real tende a se depreciar frente ao dólar — e como os fertilizantes são cotados em dólar, qualquer fraqueza do real multiplica o custo em reais que o produtor paga. Com o dólar já em R$ 5,12 nesta quinta-feira e o cenário de aversão ao risco elevado pelo duplo bloqueio, a convergência entre Brent a US$ 98 e câmbio em alta é o pior ambiente possível para quem ainda precisa comprar fertilizantes para a safra 2026/27. O duplo bloqueio que fecha o Golfo — e o que o produtor nordestino precisa entender O Estreito de Ormuz — por onde passa 20% do petróleo global — está efetivamente fechado para parte do tráfego desde o início do conflito, com o Irã ameaçando qualquer embarcação que tente transitar. A alternativa natural seria o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e representa a rota de saída do petróleo saudita e emiradense que não passa pelo Ormuz. Mas com os Houthis decretando bloqueio marítimo à Arábia Saudita em 20 de julho, essa alternativa também foi comprometida — deixando produtores e exportadores do Golfo sem rotas diretas de saída por mar para os mercados da Europa e da Ásia. Consequentemente, os navios que ainda conseguem carregar petróleo no Golfo precisam navegar ao redor da África pelo Cabo da Boa Esperança — uma rota que adiciona 10 a 14 dias de viagem e custos de frete significativos, que se transmitem diretamente no preço dos produtos transportados. Nesse sentido, para o produtor nordestino, a conclusão prática é inequívoca: comprar fertilizantes hoje, com o custo ainda não totalmente ajustado ao duplo bloqueio, é mais barato do que comprar em agosto, quando os fretes adicionais e a menor disponibilidade terão se transmitido integralmente nos preços. O Plano Safra 2026/27, com linhas de custeio junto ao BNB a taxas historicamente baixas, é o instrumento de financiamento disponível para fazer essa compra sem comprometer o caixa da propriedade. A janela que existe hoje pode não existir na semana que vem. O que muda na prática para o produtor Próximos passos O Portal AgroMais acompanha a guerra EUA-Irã e seus impactos sobre fertilizantes, fretes e custos de produção agrícola no Brasil. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias.👉 www.portalagromais.com.br