Ele nasceu nas montanhas do Sul de Minas, há mais de dois séculos, e hoje é o cavalo mais brasileiro que existe. O Mangalarga Marchador, reconhecido como a raça nacional, é o maior plantel de equinos de uma mesma raça da América Latina e o principal motor econômico da equinocultura no país. Consequentemente, essa força chega ao sertão dos Inhamuns pela mesa de esportes equestres da Agro Tauá. A origem da raça remonta a mais de duzentos anos, no Sul de Minas Gerais, a partir do cruzamento de cavalos da raça Álter, de procedência portuguesa, com éguas selecionadas para montaria. Dessa combinação, portanto, nasceu a marca que distingue o animal de todos os outros: a marcha, um andamento suave, dividido entre marcha batida e marcha picada, que oferece conforto ao cavaleiro nas longas distâncias e fez do Marchador o queridinho das cavalgadas e das provas funcionais. Números de uma liderança nacional Os dados explicam por que a raça é tratada como patrimônio vivo. A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, a ABCCMM, fundada em 1949, reúne cerca de 26 mil associados e um plantel com mais de 775 mil animais ativos, o que a consolida como uma das maiores associações de equinos da América Latina. Além disso, o Marchador responde, sozinho, por aproximadamente 31% de todo o rebanho equino brasileiro, sendo de longe a raça mais numerosa do país. O peso econômico acompanha o tamanho do rebanho. Segundo o Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo, conduzido pela Esalq/USP, a equinocultura brasileira movimenta cerca de R$ 30 bilhões por ano. Desse total, perto de 31% vêm do Mangalarga Marchador, responsável por algo em torno de R$ 9,3 bilhões, o que o coloca como o grande motor da atividade no Brasil. Nesse sentido, Minas Gerais, berço da raça, lidera o ranking nacional com mais de 319 mil exemplares, quase metade de todo o efetivo. Mangalarga Marchador: A raça no Ceará O Marchador não é figura distante no estado. O Ceará conta com a Associação dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador do Ceará, a ACCMMCE, núcleo oficial da ABCCMM sediado em Fortaleza e fundado em 2011. Consequentemente, a entidade funciona como extensão da associação nacional dentro do estado, com a missão de fomentar a criação e o desenvolvimento da raça em território cearense. Ao longo do ano, o núcleo promove copas de marcha, exposições, cursos e treinamentos oficiais para os criadores associados, além de eventos que aproximam a raça do público, como cavalgadas realizadas no litoral. Ademais, é essa estrutura que dá ao criador cearense acesso ao registro genealógico, à valorização do plantel e à rede nacional de comercialização que envolve leilões, remates e exposições. Do haras à arena de Tauá A presença da raça na Agro Tauá não é simbólica. A mesa de debate sobre organização e fortalecimento dos esportes equestres reúne, entre outros nomes, o presidente da Associação Cearense do Cavalo Mangalarga Machador, proprietário de haras dedicado à criação. Nesse sentido, a participação coloca a raça no centro da conversa sobre como transformar a tradição equestre do sertão em atividade econômica organizada. Ao reunir criadores, dirigentes e entusiastas em torno do tema, portanto, a feira reforça um movimento que já é nacional e ganha corpo no semiárido: o de enxergar o cavalo não apenas como ferramenta de trabalho ou objeto de lazer, mas como geração de renda, emprego e identidade cultural. Em Tauá, terra de tradição com o gado e com o cavalo, o Marchador encontra um palco à altura de sua história. 🌾 Fique por dentro de tudo que acontece no agronegócio do Ceará e do Brasil. Acesse o Portal AgroMais e acompanhe as melhores notícias do campo todos os dias. 👉 www.portalagromais.com.br