Couro cearense é tradição — mas nas mãos de Expedito Celeiro, virou arte. Nascido dentro de uma oficina, filho e neto de artesãos, Seu Expedito não apenas herdou uma profissão. Ele a reinventou por inteiro. A história começa antes mesmo de sua consciência sobre o mundo. Enquanto pai e avô trabalhavam, ele crescia entre ferramentas, retalhos e o cheiro do couro. Mas herança, por mais valiosa que seja, não garante espaço no mercado. Era preciso criar algo próprio. Da oficina herdada à identidade única O trabalho que ele conhecia servia ao homem do campo. Gibões grossos, resistentes, feitos para aguentar o sol, a chuva e a lida diária no sertão. Mas o mercado mudava. E os artistas que chegavam pediam outra coisa. Com a chegada de cantores e performers, surgiu a demanda por peças mais leves, coloridas e exclusivas. Foi nesse espaço que Seu Expedito construiu seu nome. Ele passou a trabalhar com a película — um material especial para roupas — e assumiu um compromisso que se tornaria sua marca registrada: nunca fazer duas peças iguais. Cada cliente recebe um modelo exclusivo, pensado do zero, com medidas tiradas individualmente. “Cada um eu faço um diferente do outro. Eu gosto de fazer desse jeito, eu gosto desse desafio”, declarou o artesão. Esse posicionamento transformou o trabalho com couro cearense em algo além da tradição. Tornou-se moda, arte e expressão de identidade. Tinta da caatinga: quando a natureza vira paleta de cores O maior obstáculo de Expedito não foi aprender a moldar o couro. Foi dar cor a ele. Sem encontrar no mercado as tintas necessárias para criar peças coloridas, ele buscou solução onde sempre encontrou respostas: na natureza ao redor. Da casca do angico, extraiu o marrom. Do urucum, o vermelho. Da lama do rio, o preto. Da casca da caatingueira, o branco. Do anil, o azul. A primeira grande vitória veio com uma cela colorida, encomendada por um cigano. A peça chamou atenção, gerou admiração — e abriu as portas para uma fila de encomendas que não parou mais. “O cigano endoidou e depois não faltou mais encomenda”, lembrou Expedito, com o orgulho tranquilo de quem sabe o que construiu. Aquela cela hoje está guardada em museu. Símbolo de que o artesanato em couro cearense tem memória, tem raiz — e tem futuro. O couro cearense como patrimônio vivo do Nordeste Seu Expedito não frequentou escola para aprender o que sabe. Não teve um mestre formal que o guiasse. A inspiração, segundo ele, vem de Deus — e da paisagem que o cerca. A mata em flor, o cigano em movimento, o vaqueiro na lida. São essas imagens que alimentam cada peça produzida em sua oficina. Uma conexão direta entre território, cultura e trabalho manual. O couro cearense, nas mãos de mestres como Expedito Celeiro, vai muito além de uma produção artesanal. É economia criativa. É identidade regional. É patrimônio vivo do Nordeste. Em um momento em que o agronegócio e a cultura rural ganham crescente visibilidade, histórias como a de Seu Expedito lembram que o campo também produz arte. Arte feita com técnica, história e alma — que encontra mercado em qualquer lugar do mundo. O Portal AgroMais segue dando voz a essas histórias. Porque no agro, a tradição também se veste.
Petróleo e agro: alerta forte no custo do frete
Petróleo no agro segue como fator de atenção para produtores e empresas. Mesmo com uma trégua ampliada no conflito envolvendo o Irã, o mercado internacional continua volátil. O barril do Brent permanece em níveis elevados, após ter superado os US$ 100 recentemente. Esse cenário mantém a pressão sobre custos operacionais no campo. O impacto é direto no diesel e no frete, dois pilares da logística agropecuária. Custos de logística continuam pressionados no campo A alta do petróleo afeta toda a cadeia produtiva. O diesel mais caro encarece operações essenciais, como colheita, preparo de solo e transporte. Além disso, o frete rodoviário sofre impacto imediato. Regiões com maior dependência de transporte de longa distância sentem ainda mais essa pressão. Com isso, o custo por hectare tende a subir. Em algumas cadeias, a margem pode ficar mais apertada, especialmente em momentos de safra. Petróleo no agro e o efeito direto nas margens Petróleo no agro influencia diretamente a rentabilidade. Quando os custos logísticos aumentam, o produtor precisa absorver parte desse impacto. Ao mesmo tempo, nem sempre é possível repassar esse aumento ao preço final. Isso gera um desequilíbrio entre custo e receita. Esse cenário exige mais atenção na gestão. Planejamento logístico e eficiência operacional passam a ser ainda mais estratégicos. Volatilidade global mantém alerta para o setor Mesmo com a redução momentânea de tensões no cenário internacional, o mercado segue instável. Oscilações no preço do petróleo podem acontecer rapidamente. Por isso, o setor agro precisa operar com cautela. Monitorar custos, ajustar rotas e buscar eficiência são caminhos para reduzir riscos. No médio prazo, a tendência é de continuidade dessa pressão. O ambiente exige decisões mais estratégicas, especialmente em cadeias com alta dependência logística.
Alerta de chuvas intensas no Ceará exige atenção do agro
Alerta de chuvas intensas no Ceará coloca 177 cidades, incluindo Fortaleza, sob aviso laranja emitido pelo Inmet, com previsão de precipitações elevadas e ventos intensos. O cenário exige atenção redobrada de produtores e empresários do agro, especialmente em operações que dependem de logística eficiente e condições climáticas estáveis. Impactos do alerta de chuvas intensas no campo O aviso indica possibilidade de chuvas entre 30 e 60 mm por hora ou até 100 mm por dia. Além disso, há previsão de ventos fortes. Esse contexto aumenta o risco de interrupções em atividades no campo, dificultando o manejo e a execução de operações agrícolas. Em regiões com solos mais sensíveis, o excesso de água pode comprometer o acesso e a mobilidade dentro das propriedades. Logística e escoamento sob pressão O alerta de chuvas intensas também acende um sinal de alerta para a logística rural. Estradas vicinais podem ser afetadas, impactando diretamente o transporte de insumos e o escoamento da produção. Para cadeias com produtos perecíveis, qualquer atraso pode gerar perdas relevantes. Por isso, o monitoramento constante das condições climáticas se torna decisivo para ajustes rápidos na operação. Gestão de risco e decisões estratégicas Diante desse cenário, a gestão de risco ganha protagonismo. A armazenagem precisa ser reforçada para evitar prejuízos, enquanto decisões sobre colheita, transporte e distribuição devem considerar a instabilidade climática. O momento exige planejamento e capacidade de adaptação para reduzir impactos e manter a eficiência das operações. O alerta reforça a importância de integrar informação climática à tomada de decisão no agro. Em um ambiente cada vez mais sensível às variações do clima, antecipar riscos pode ser o diferencial entre prejuízo e continuidade produtiva.