O Ceará segue ampliando sua fronteira agrícola com culturas alternativas que unem inovação, viabilidade econômica e adaptação ao clima. No episódio de hoje do Panorama do Agro, Jak Diógenes apresenta o avanço do açaí irrigado e do cacau tecnificado, duas atividades que vêm transformando a produção no Estado — do litoral ao sertão. 🌱 Açaí irrigado: a cultura que “virou cearense” O açaí, antes restrito às áreas de várzea e clima úmido do Norte, encontrou no Ceará um novo território para expandir. O chamado açaí de terra firme, cultivado em regiões irrigadas, mostrou uma adaptação surpreendente: Produtores da região litorânea e do Vale do Curu relatam ganhos consistentes de produtividade, qualidade sensorial superior (com maior teor de sólidos solúveis — o brix) e um mercado forte para expansão. Segundo produtores entrevistados, o açaí irrigado do Ceará apresenta sabor naturalmente mais adocicado graças às mais de 3.200 horas de sol por ano, tornando-se competitivo até com o produto do Pará. A atividade já gera emprego direto estimado em uma pessoa por hectare e deve crescer com novos investimentos privados e apoio dos órgãos estaduais. 🍫 Cacau no semiárido: tecnologia, irrigação e alta rentabilidade Outro destaque é o cacau cultivado no Vale do Jaguaribe em sistemas irrigados e integrados. Implantado há pouco mais de uma década, o cultivo mostrou resultados muito acima da média nacional. Entre os avanços técnicos: O manejo utiliza irrigação fracionada em pulsos, garantindo eficiência hídrica e redução de perdas. A verticalização também avança: além de produzir amêndoas premium, empreendedores locais já iniciaram a fabricação de nibs, manteiga de cacau, pó e chocolates artesanais de alto valor agregado. Com o preço da amêndoa atingindo R$ 60/kg, a cultura se tornou uma das mais rentáveis do semiárido, com projeções de expansão superior a 120 hectares nos próximos anos. 🌾 Histórias que inspiram: o produtor que virou referência em exportação O programa também apresentou a trajetória de Edson Brock, produtor de bananas em Limoeiro do Norte, cuja história une vocação exportadora, inovação e resiliência. Com 26 anos dedicados à bananicultura, Edson se tornou referência nacional na exportação da fruta. Ele destaca: “Banana é como família: mãe, filha, neta. A gente cuida como se fosse parte da gente”, afirma Edson, reforçando o cuidado com irrigação, manejo e sustentabilidade. 🌞 O agro que floresce onde poucos acreditavam O episódio reforça que o Ceará reúne as condições para liderar novas cadeias produtivas graças à combinação de: Do açaí ao cacau, da banana às culturas emergentes, o agro cearense mostra que é possível produzir com eficiência, qualidade e valor agregado — transformando paisagens, economias e comunidades inteiras.
Zarc da cana: atualização essencial reduz riscos ao produtor
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, nesta segunda-feira (26), a nova versão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura da cana-de-açúcar em sequeiro, utilizada na produção de etanol, açúcar e outros derivados. Esta é a primeira atualização após a revogação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), ocorrida em 2019. A última atualização do Zarc havia sido feita em 2018. Agora, o modelo incorpora metodologia revisada de cálculo de risco, avaliação de mais classes de solo e uma série climática ampliada, cobrindo o período de 1992 a 2022. O novo documento também inclui municípios que antes estavam impedidos de acessar financiamentos públicos devido às restrições do ZAE Cana. Avaliação de riscos e mudanças regionais Segundo Santiago Cuadra, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital e um dos responsáveis pelo estudo, as alterações foram pontuais, mesmo com a liberação de municípios da Amazônia e do Pantanal. “Houve mudanças sobretudo em áreas de transição entre Cerrado e Amazônia, mas o impacto regional não foi expressivo. A maior parte dos municípios da Amazônia permanece fora do Zarc devido ao excesso de chuvas”, explica. A cultura da cana destinada a etanol e açúcar exige cerca de seis meses de período seco para viabilizar a colheita — condição que não ocorre na maior parte da Amazônia. No Pantanal, as temperaturas elevadas também limitam a viabilidade da cultura. Municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com menor área dentro do bioma foram incluídos no zoneamento. Já localidades com maior proporção de território no Pantanal permaneceram fora da recomendação. Ampliação para outros usos da cana O Zarc para cana-de-açúcar destinada a outros fins — como cachaça, melaço e forragem — passou por ampliação. Essas atividades, mais associadas à agricultura familiar, agora têm maior área de recomendação. As restrições continuam no semiárido nordestino, devido à escassez hídrica, e em regiões de elevada altitude em Santa Catarina e no sul de Minas Gerais, onde o risco de geadas inviabiliza o cultivo. Concentração produtiva continua no Centro-Sul Nos últimos dez anos, a área ocupada pela cana-de-açúcar no Brasil variou entre 9,1 e 10,2 milhões de hectares. A produção segue concentrada no Centro-Sul. O estado de São Paulo responde por cerca de 50% das lavouras, seguido por Goiás (11%) e Minas Gerais (10%). O novo Zarc classifica as regiões de plantio em faixas de risco de perdas: 20%, 30%, 40% e acima de 40% — esta última sem recomendação. A avaliação considera: Os parâmetros têm como referência um ATR de 135 kg por tonelada de colmo. Além do zoneamento para sequeiro, o Zarc para áreas irrigadas, publicado em 2022, permanece válido e atualizado. Zarc como instrumento de gestão de risco O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma das principais ferramentas de mitigação de riscos na agricultura brasileira. Ele orienta as janelas de plantio de mais de 50 culturas e é utilizado por produtores, seguradoras e instituições financeiras. O zoneamento integra políticas públicas como: A partir da safra 2025/2026, seguir o Zarc será obrigatório para operações de custeio acima de R$ 200 mil em linhas com recursos controlados. A ferramenta está disponível gratuitamente no aplicativo Zarc Plantio Certo (Android e iOS) e no Painel de Indicação de Riscos.
Propostas legislativas do agro: pacote decisivo da Faec
A propostas legislativas do agro ganharam novo impulso no Ceará com a entrega de um pacote de medidas estruturantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) à Assembleia Legislativa. O documento foi apresentado nesta segunda-feira (26), em reunião conduzida pelo presidente da Faec, Amílcar Silveira, com o presidente da Alece, Romeu Aldigueri. As propostas abrangem cadeias estratégicas para a economia rural cearense, como fruticultura irrigada, pecuária leiteira, carcinicultura e piscicultura. A iniciativa busca modernizar o ambiente de negócios, reduzir entraves burocráticos, estimular a formalização e ampliar a segurança jurídica para quem produz no campo. Medidas que influenciam diretamente o desenvolvimento do agro O pacote reúne ações que dialogam com demandas históricas do setor e que podem criar um cenário mais favorável ao investimento e à geração de renda no meio rural. Entre os pontos centrais estão: As medidas também reforçam a defesa da liberdade de empreender e de um modelo regulatório que acompanhe a evolução das cadeias produtivas. Impactos esperados para cadeias produtivas estratégicas A modernização do ambiente regulatório tende a acelerar a expansão da fruticultura irrigada, fortalecer a competitividade da pecuária leiteira e ampliar o potencial da carcinicultura e da piscicultura no interior. A segurança jurídica é apontada por entidades do setor como um dos pilares para atrair novos investimentos e sustentar ciclos produtivos mais longos. Com o pacote legislativo, a Faec busca garantir que produtores rurais tenham previsibilidade e ambiente adequado para expandir negócios, gerar emprego e impulsionar o desenvolvimento regional. Reforço institucional e diálogo com o poder público A entrega das propostas marca mais um passo no diálogo permanente entre setor produtivo e poder legislativo. O movimento reforça o papel da Faec como articuladora de políticas estruturantes voltadas ao crescimento sustentável do agro no Ceará.