A variação do dólar futuro voltou ao centro das atenções do mercado físico brasileiro. Mesmo com a alta em Chicago favorecendo soja e milho, a formação de preços no interior depende diretamente da paridade de exportação, na qual o câmbio funciona como eixo decisivo. Câmbio fraco limita reação da soja e do milho Quando o dólar perde força, a conversão da alta de Chicago para reais tende a perder intensidade. Essa dinâmica reduz o ímpeto de valorização na originação e pode segurar preços em regiões de forte oferta, especialmente durante janelas de colheita. A pressão se torna mais evidente em bases distantes do porto, onde o frete pesa mais na composição final. Dólar firme sustenta preço nos portos e no interior Por outro lado, um movimento de fortalecimento do dólar costuma dar sustentação imediata às cotações no Brasil. A valorização da moeda americana aumenta a competitividade da soja e do milho brasileiros, melhora a paridade e mantém o apetite da exportação mesmo diante do avanço da safra. Essa combinação tende a segurar preços no porto e, em alguns casos, a travar quedas no interior, mesmo em cenários de maior oferta. Impactos para comercialização e tomada de decisão O câmbio se mantém como variável crítica para a formação de preço no curto prazo. Oscilações diárias do dólar futuro podem acelerar negociações ou postergá-las, influenciando o comportamento de produtores, tradings e indústrias. Em anos de forte volatilidade externa, a sensibilidade do mercado brasileiro à paridade se intensifica, e o dólar se transforma no principal vetor de sustentação ou limitação dos ganhos vindos da CBOT.
Programa Forrageiras fortalece segurança do rebanho em Canindé
O Programa Forrageiras do Ceará avançou em Canindé e fortaleceu a estratégia de segurança alimentar do rebanho na região semiárida. A iniciativa, acompanhada pelo Sistema Faec/Senar, aposta em plantas adaptadas ao clima, como palma e capins de alta produção, para reduzir a dependência de insumos externos e garantir estabilidade produtiva ao longo do ano. Forrageiras adaptadas ao semiárido ampliam eficiência no campo Durante a visita técnica, produtores e técnicos observaram o desempenho das principais espécies indicadas para o semiárido. A adoção de forrageiras resistentes reforça o conceito de “estoque de alimento”, essencial para enfrentar períodos de estiagem prolongada. O uso adequado dessas plantas melhora o planejamento alimentar e reduz riscos associados à escassez de pasto. Planejamento alimentar reduz custos e fortalece a produção A implementação de tecnologias forrageiras diminui a necessidade de compras emergenciais de ração e suplementos na seca. Com manejo adequado, os produtores conseguem maior autonomia na nutrição do rebanho, além de estabilidade na produção de leite e carne. A prática contribui ainda para a sustentabilidade econômica das propriedades rurais. Impacto direto na bovinocultura do interior cearense O avanço do Programa Forrageiras representa um reforço estratégico para a bovinocultura de leite e corte. A iniciativa atende demandas históricas dos produtores, que enfrentam variações climáticas severas. Com suporte técnico e difusão de boas práticas, a região amplia sua capacidade produtiva e reduz custos de alimentação, garantindo maior segurança e competitividade.
Sucessão empresarial: guia essencial para evitar riscos graves
A sucessão empresarial é um desafio que afeta milhares de negócios familiares no Brasil. A ausência de planejamento coloca em risco a sobrevivência de cerca de 40% das empresas brasileiras, segundo o IBGC. Quase 90% das empresas do país são familiares. No entanto, apenas 30% chegam à segunda geração e menos de 10% alcançam a terceira. Em muitos casos, a falta de planejamento sucessório faz com que negócios bem-sucedidos encerrem as atividades quando os fundadores se afastam. O processo envolve questões emocionais, culturais e até resistências internas. Entre os desafios mais comuns estão a centralização de decisões e a resistência à inovação. “Em muitas empresas familiares, há uma cultura consolidada ao longo de décadas. Qualquer tentativa de modernização pode ser vista com desconfiança, tanto pela equipe quanto pelos próprios fundadores”, destaca Rebeca Alcantara, analista do Sebrae/CE. Mas a sucessão precisa ser tratada com a mesma prioridade do planejamento estratégico. Em Fortaleza, uma empresa familiar segue esse caminho com organização e bons resultados. Fundada há mais de duas décadas, a gráfica administrada por Pedro vive um processo estruturado de transição após anos sob comando do pai. Pedro Feitosa, empresário do setor gráfico, avalia o momento como desafiador e enriquecedor. “Meu pai assumiu a operação por volta de 2006 e eu entrei em 2015 quando comecei a faculdade. Desde então, venho aprendendo e assumindo novas funções. Há cerca de um ano e meio, intensificamos esse processo de sucessão”, relata. A empresa familiar precisou se reinventar ao longo dos anos para se manter competitiva. Pedro iniciou sua trajetória com o Sebrae como estagiário e sabe o impacto da instituição em sua formação. “Meu primeiro contato foi ainda como estudante. Ali tive acesso a cursos, mentorias, palestras. Mais tarde, como empresário, essa relação se fortaleceu”, afirma. Com o apoio do Sebrae/CE, o negócio passou por consultorias, investiu em automação, adotou ferramentas de inteligência artificial e abriu novas frentes de atuação. As mudanças facilitaram o processo sucessório e contribuíram para o crescimento do faturamento. “A automação ajudou muito. Otimizamos processos e isso facilitou a transição. Hoje conseguimos equilibrar tradição com tecnologia e manter o foco em crescer com qualidade”, explica. O apoio técnico mostra a importância de uma sucessão estruturada. “O Sebrae orienta os empreendedores a enxergarem a sucessão como uma oportunidade de evolução. Com preparação, diálogo e gestão estruturada, é possível garantir a longevidade da empresa e a continuidade do legado familiar”, complementa Rebeca. Um desafio comum, mas possível de ser vencido Para o Sebrae Nacional, a sucessão empresarial ainda é um tema sensível. Mais de 60% das empresas familiares não possuem um plano formal e apenas 18% contam com algum tipo de governança estruturada. As dificuldades estão ligadas a questões emocionais, falta de delegação e ausência de planejamento antecipado. A continuidade dos negócios depende da união entre experiência e visão de futuro. No caso da gráfica de Pedro, o processo ocorre de forma gradual e organizada. Ele, o pai e a madrasta dividem responsabilidades conforme suas funções. O caso mostra que, com planejamento e apoio técnico, a sucessão deixa de ser um obstáculo e se transforma em oportunidade de fortalecimento.
Qualidade do leite: alerta essencial para proteger a produção
A qualidade do leite tornou-se um fator decisivo para competitividade no mercado. Com maior exigência dos compradores, a produção depende de manejo correto, rotina organizada e atenção constante ao bem-estar do rebanho. A gestão adequada transforma o leite em oportunidade econômica e reduz riscos para o produtor. Gestão e práticas que evitam prejuízos na pecuária leiteira A qualidade do leite envolve cuidados que começam muito antes da ordenha. Segundo especialistas, muitos produtores ainda negligenciam práticas básicas por desconhecimento, o que afeta diretamente a economia da propriedade. Animais saudáveis expressam melhor seu potencial produtivo quando recebem manejo nutricional adequado, conforto e ambiente apropriado. A mastite é um dos principais fatores de perda econômica. A forma subclínica, muitas vezes imperceptível, reduz a produção sem sinais evidentes. O problema compromete a lactação e aumenta o custo alimentar, pois o animal consome sem converter em leite. Em um ciclo de 300 dias, a queda de 1 a 2 litros por dia pode gerar prejuízos significativos na rentabilidade. Como identificar mastite e melhorar os índices de produção O controle da mastite exige atenção contínua. Práticas simples, como anotar ocorrências clínicas e utilizar a caneca de fundo preto, ajudam a identificar alterações precoces. O teste CMT, mesmo subjetivo, permite monitoramento mensal eficiente. Em casos específicos, análises laboratoriais por cultura ou PCR aumentam a precisão do diagnóstico. Essas medidas reduzem perdas e fortalecem a gestão da propriedade. A adoção de rotinas organizadas melhora a sanidade do rebanho e abre espaço para mercados mais exigentes. A qualidade se traduz em vantagem competitiva dentro da cadeia produtiva do leite. Impacto econômico e oportunidades para produtores cearenses O Ceará produz mais de 700 milhões de litros de leite por ano. No entanto, ainda enfrenta desafios relacionados à qualidade e à padronização. Propriedades que investem em gestão conseguem elevar em até 40% a rentabilidade por litro, mostrando a relevância econômica do cuidado técnico. O mercado premium valoriza qualidade, rastreabilidade e boas práticas. Com organização, treinamento e manejo adequado, o produtor amplia possibilidades de venda e fortalece a sustentabilidade do negócio. Quando a gestão da qualidade é incorporada à rotina, o leite deixa de ser apenas um produto e passa a representar marca, valor e crescimento para toda a cadeia.