Como a agropecuária impulsiona o crescimento do Sertão de Crateús
Apoiado pelo Sebrae, o Sertão de Crateús produz e gera renda para milhares de famílias, em meio ao semiárido cearense. No coração do semiárido cearense, entre solos desafiadores e um povo movido pela persistência, o Sertão de Crateús, formado por 13 municípios, é um verdadeiro celeiro de oportunidades sustentadas por diferentes cadeias produtivas, como a bovinocultura, ovinocaprinocultura, apicultura e o artesanato. Setores estes que geram renda, movimentam a economia e fortalecem o sentimento de pertencimento a um território resiliente e fértil. A pecuária é uma das colunas vertebrais da economia do Sertão de Crateús, gerando uma forte identidade econômica para a região. Com rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos, o setor não apenas abastece o mercado local como também impulsiona empreendimentos familiares e cooperativas organizadas em torno da produção e da comercialização de derivados. No campo, a força do sertão ainda em desenvolvimento se transforma em produtividade. Nem as adversidades do clima impedem os avanços da região. Para Luiz Gonçalves, articulador do Sebrae Regional, a ausência da cultura do espírito coletivo e a visão empreendedora limitada ainda são os principais desafios enfrentados no dia a dia. “Pouco a pouco estamos avançando. Nosso foco está na agregação de valor aos produtos e na conexão com novos canais de mercado”, destaca. Um outro eixo estruturante que também se destaca na economia local é a bovinocultura leiteira que tem presença expressiva em municípios como Nova Russas, Ipueiras e Santa Quitéria. A cadeia movimenta dezenas de pequenos produtores que encontram no Sebrae apoio técnico e gerencial para ampliar a produtividade, reduzir custos e acessar novos mercados. Por meio de parcerias com secretarias municipais e entidades de classe, o Sebrae vem promovendo soluções que vão do manejo alimentar ao uso de tecnologias para gestão de produção. “Através da nossa rede de atendimento e parceiros locais conseguimos elaborar ações alinhadas com a realidade de cada produtor. A bovinocultura é uma grande oportunidade para fortalecer a economia familiar e regional”, reforça Luiz. A agroindústria como transformadora da produção Em terras áridas, entre chuvas incertas e longos períodos de estiagem, a criação de caprinos e ovinos se impõe como símbolo de resistência e maleabilidade produtiva. Os rebanhos adaptados ao semiárido sustentam as cooperativas locais, alimentam famílias e geram negócios. A cadeia ganha um novo fôlego com a implantação do Frigorífico Terra Conquistada, fruto da parceria entre o Sebrae Regional e a COOPERAMUNS. A nova agroindústria, instalada com suporte técnico e estratégico do Programa AgroNordeste, atende cerca de 50 produtores da região e já nasceu orientada para certificações, rotulagem, design de rótulo e boas práticas. “A agroindustrialização é uma alternativa estratégica para transformar a produção da agricultura familiar. Com ela, agregamos valor à matéria-prima, diminuímos a dependência do setor primário e ampliamos o alcance da produção”, ressalta Luiz Gonçalves.
Exportações de soja e milho avançam com revisão da ANEC
As exportações de soja e milho iniciam o ano com ritmo acelerado após a ANEC revisar para cima as estimativas de embarque em janeiro. O ajuste indica uma movimentação mais intensa nos portos e reforça o interesse da demanda internacional. O cenário também sinaliza possíveis efeitos na oferta interna e nos prêmios pagos ao produtor. Revisão das exportações de soja e milho A exportações de soja e milho tiveram projeções ampliadas pela ANEC devido ao volume firme de carregamentos neste início de safra. A revisão mostra maior competitividade nos terminais brasileiros e confirma o avanço logístico do país. A demanda asiática contribui para sustentar o ritmo da soja, enquanto o milho mantém participação relevante nas rotas tradicionais. O movimento fortalece a expectativa de um janeiro aquecido na comercialização de grãos. Impactos na logística e na oferta interna A elevação dos embarques pressiona a operação nos portos e amplia a procura por frete rodoviário. Com isso, a disputa pelo transporte tende a encarecer o custo logístico, especialmente em períodos de concentração de cargas. O aumento da movimentação também direciona mais produto para os terminais, reduzindo a disponibilidade no interior. Em alguns momentos, essa migração limita negócios entre tradings e produtores, que aguardam paridade melhor de preços. Efeitos sobre prêmios e comercialização O ritmo forte das exportações influencia diretamente os prêmios nos portos. Em cenários de maior demanda, a tendência é de sustentação desses valores. Entretanto, o fluxo intenso pode travar negociações se os custos logísticos reduzirem a atratividade do preço final. O resultado é um mercado mais sensível às variações de demanda externa, frete e câmbio. A revisão da ANEC reforça esse comportamento e indica um início de ano volátil, porém favorável para quem opera no mercado externo. A atualização das estimativas da ANEC confirma o protagonismo brasileiro nas exportações de soja e milho. O movimento fortalece a posição do país no comércio global de grãos e revela um cenário logístico dinâmico, com prêmios sustentados e maior disputa por frete. O ano começa com sinais positivos, mas exige atenção ao equilíbrio entre oferta interna, custos e demanda internacional.
Mel do caju destaca integração entre apicultura e cajucultura no Ceará
O mel do caju ganhou atenção no Ceará por unir apicultura e cajucultura em um modelo produtivo que aumenta renda e fortalece a biodiversidade. A florada do cajueiro influencia sabor, cor e qualidade do mel, enquanto a polinização intensifica a produtividade do caju. A prática demonstra como atividades tradicionais do interior podem se complementar. Produção do mel do caju e sua importância O mel do caju apresenta coloração escura e sabor característico. O apicultor Júnior do Mel, de Ocara, explica que a florada do cajueiro altera o perfil sensorial do produto. Além disso, a abelha promove polinização eficaz, o que aumenta o rendimento do cajueiro e melhora o desenvolvimento da castanha. A integração das duas cadeias cria benefícios diretos para o produtor, que aproveita o potencial de uma espécie nativa e presente em grandes áreas do semiárido. A rotina e a história da apicultura no interior A apicultura moderna utilizada por produtores locais segue o modelo Langstroth, adotado internacionalmente. No entanto, a tradição começou no mato, antes da introdução das caixas padronizadas. O trabalho depende do clima, da florada e da força dos enxames. Alguns anos são mais produtivos, enquanto outros exigem manejo cuidadoso. Mesmo assim, a atividade continua sendo uma fonte de renda relevante para famílias que vivem no interior cearense. A reprodução dos enxames, mostrada por Júnior, reforça que a genética e o manejo adequado sustentam a expansão da produção. Impactos econômicos e ambientais da integração O uso estratégico da polinização melhora a produtividade da cajucultura e favorece o equilíbrio ambiental. A abelha amplia a fertilização das flores e reduz perdas. Assim, o mel torna-se mais valorizado enquanto o cajueiro entrega maior retorno por hectare. Essa complementaridade fortalece a economia rural, diversifica a renda e preserva práticas tradicionais. O Ceará se beneficia ao unir inovação, conhecimento empírico e manejo sustentável em cadeias que representam a identidade do sertão. A relação entre abelhas e cajueiros mostra como a apicultura pode transformar realidades locais. O mel do caju traduz cultura, técnica e união entre atividades que moldam o interior nordestino. A integração aumenta renda, preserva saberes e reforça o papel do campo na construção de produtos únicos e competitivos.