A Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) apresentou os principais projetos que irão fortalecer a agricultura familiar do Ceará em 2026. Entre as iniciativas estratégicas estão o Projeto Sertão Vivo e o Paulo Freire 2, programas estruturantes voltados à resiliência climática, ampliação produtiva e acesso à água.
As ações consolidam uma nova fase de investimentos em escala, com forte apoio de financiamento internacional.
Sertão Vivo: foco em resiliência climática
O Projeto Sertão Vivo representa a primeira ação em larga escala do Estado voltada especificamente para a resiliência climática da agricultura familiar.
A iniciativa atuará em 72 municípios, com investimento estimado em R$ 252 milhões, financiados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo BNDES.
O programa possui dois eixos centrais:
1️⃣ Investimento produtivo em sistemas resilientes
O projeto deverá alcançar cerca de 24 mil famílias, apoiando atividades adaptadas às mudanças climáticas, como:
- Sistemas agroflorestais
- Transição agroecológica
- Integração lavoura-pecuária-floresta
A proposta é fortalecer modelos produtivos mais sustentáveis e menos vulneráveis às variações do clima.
2️⃣ Ampliação do acesso à água
O segundo componente envolve tecnologias sociais voltadas ao aumento da oferta hídrica para produção de alimentos, ampliando segurança produtiva no semiárido.
Editais já foram lançados para contratação de entidades responsáveis pela assistência técnica contínua e pela implementação das tecnologias.
Paulo Freire 2: ampliação de capacidades produtivas
Outra ação estratégica prevista para 2026 é o Projeto Paulo Freire 2, que atuará em 74 municípios cearenses.
O programa também é estruturado em três componentes:
- Investimento produtivo direto às famílias
- Acesso à água e saneamento
- Ampliação de escala e capacitação
A iniciativa conta com financiamento do FIDA e do Instituto de Crédito Oficial da Espanha — sendo a primeira experiência desse modelo no Brasil.
O investimento total previsto é de 139 milhões de euros, equivalente a mais de R$ 700 milhões, destinados à agricultura familiar nos próximos anos.
O que os projetos sinalizam para 2026
A combinação das duas iniciativas reforça:
- Interiorização de políticas públicas
- Segurança hídrica como eixo estratégico
- Fortalecimento da assistência técnica
- Escala produtiva com foco sustentável
- Resiliência climática como política estruturante
Em um cenário de maior variabilidade climática, os investimentos indicam que a gestão da produção passa a integrar, definitivamente, planejamento hídrico, organização produtiva e inovação no campo.







