O mercado internacional de grãos ganhou novo vetor nesta semana após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar que os produtores americanos devem ampliar a área de soja e reduzir o plantio de milho em 2026. A projeção mexeu imediatamente com as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e reacendeu ajustes na formação de preços no Brasil.
A lógica é direta: mais área de soja sinaliza maior oferta futura, o que tende a pressionar contratos da oleaginosa. Já o menor espaço destinado ao milho reduz a expectativa de produção, oferecendo suporte relativo às cotações do cereal.
Chicago reage e reequilibra forças
Após a divulgação, os contratos futuros passaram por realinhamento técnico. A soja sentiu o peso da perspectiva de aumento de área, enquanto o milho ganhou sustentação.
Como Chicago é referência global para formação de preço, qualquer mudança estrutural nos Estados Unidos impacta imediatamente a paridade brasileira — principalmente em regiões exportadoras.
Paridade do Brasil fica ainda mais sensível
Para o produtor brasileiro, o reflexo não se limita ao gráfico da CBOT. A equação de preço no físico depende da combinação entre:
- Cotação em Chicago
- Câmbio
- Prêmio de exportação
Se a soja sofre pressão externa, o mercado interno passa a depender mais de câmbio favorável ou prêmio firme para sustentar valores regionais. No milho, o suporte em Chicago pode abrir janelas de comercialização, especialmente em corredores com forte demanda.
Estratégia comercial exige disciplina
O novo cenário reforça a importância de leitura macro antes da decisão de venda. O “formador” externo de preço está mudando. Em um ambiente de possível aumento de oferta global de soja, o mercado tende a operar com seletividade.
Para quem comercializa no físico, o momento pede:
- Monitoramento diário de prêmio
- Atenção ao câmbio
- Estratégia fracionada de venda
- Avaliação de travas quando houver reação técnica
A safra americana ainda será plantada, mas o mercado já precifica expectativas. E expectativa, em commodities, costuma antecipar movimentos relevantes.
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