Pesquisa mira reduzir perdas na criação de coelhos
Leite artificial de coelha está no centro de uma pesquisa no Paraná que pode mudar a criação de coelhos no Brasil. O estudo avançou após dois anos de testes. Agora, a equipe entra na fase de fabricação experimental. A proposta é reduzir perdas e melhorar a eficiência produtiva.
Leite artificial de coelha pode reduzir a mortalidade no desmame
A pesquisa parte de um gargalo prático na cunicultura: a mortalidade de filhotes até o desmame. A estimativa é de perdas próximas de 20% até cerca de 40 dias de vida. Esse número diminui o aproveitamento do potencial reprodutivo do animal.
Em condições médias, uma coelha pode ter de 10 a 12 filhotes por ninhada, com gestação de aproximadamente 30 dias. Ao longo de um ano, esse ritmo pode resultar em dezenas de animais desmamados. No entanto, ninhadas muito grandes aumentam o risco de subnutrição.
Um dos pontos críticos é físico. Há ninhadas com até 16 filhotes, enquanto as fêmeas possuem oito tetas. Isso limita a oferta de leite. Por isso, a suplementação com leite artificial de coelha surge como alternativa para equilibrar a nutrição e reduzir as perdas.
Protocolo de ordenha viabiliza análises e abre caminho para a fórmula
Para desenvolver uma fórmula, era necessário acessar leite natural em volume suficiente para análises. Esse foi o principal desafio técnico do projeto. Em coelhas, a descida do leite depende do estímulo do filhote. Sem sucção e sinais naturais, o leite não é liberado.
Métodos tradicionais citados em literatura internacional não funcionaram no cenário testado. Diante disso, o grupo estruturou um protocolo próprio. A técnica combinou indução hormonal, estímulo natural do filhote e, na sequência, um equipamento de sucção acoplado após a liberação do leite.
Com esse avanço, foi possível coletar amostras adequadas para medir lactose, aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas. Esse passo é decisivo para projetar um leite artificial de coelha com composição próxima ao leite materno.
Inovação fortalece a cadeia e pode gerar produto inédito no país
A pesquisa ocorre na Universidade Estadual de Maringá (UEM), que mantém rebanho de cerca de 600 animais na Fazenda Experimental de Iguatemi, incluindo matrizes e machos. O ambiente permite observação contínua e testes controlados.
A expectativa do projeto é dupla. Primeiro, reduzir a mortalidade de láparos com suplementação. Segundo, elevar a eficiência produtiva de um setor que tende a crescer em nichos específicos. Além da carne, a criação gera subprodutos e pode ser realizada em pequenos espaços, com menor demanda de insumos em comparação a outras cadeias.
Embora já existam substitutos comerciais em outros mercados, o Brasil não possui formulação disponível. Por isso, a UEM pode abrir caminho para uma produção nacional e até para registro de patente. Os próximos passos incluem formulação final, fabricação experimental e testes de aceitação com filhotes.
No recorte regional, o Paraná aparece como um dos estados com destaque no plantel. Estimativas do IBGE citadas na matéria indicam cerca de 33 mil coelhos, colocando o estado entre os maiores do país. Esse cenário ajuda a explicar por que o desenvolvimento do leite artificial de coelha ganha tração no estado.
O que o avanço representa para o agro e para a ciência aplicada
O avanço da pesquisa no Paraná indica uma nova etapa para a cunicultura brasileira. O protocolo de ordenha criou base técnica para análises e para a construção de uma fórmula inédita no país. Com isso, o leite artificial de coelha tende a se tornar ferramenta estratégica para reduzir perdas no desmame e ampliar a produtividade. Ao mesmo tempo, o projeto reforça a conexão entre ciência aplicada, bem-estar animal e desenvolvimento de cadeias de nicho no agro nacional.
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