Carcinicultura no Ceará: liderança nacional, empregos e sustentabilidade no agronegócio
A carcinicultura brasileira já viveu momentos de destaque no cenário internacional, especialmente no início dos anos 2000, quando chegou a exportar quase 80% da produção de camarão. Apesar das crises sanitárias, comerciais e cambiais que reduziram a competitividade no mercado externo, o setor se reinventou, voltou-se para o consumo interno e hoje encontra no Nordeste, em especial no Ceará, sua maior força produtiva.
A Força da Carcinicultura Brasileira
Em 2003, a produção nacional atingiu 90 mil toneladas, movimentando US$ 226 milhões em exportações. Porém, medidas antidumping impostas pelos Estados Unidos, a chegada do Vírus da Mionecrose Infecciosa e a valorização do real impactaram fortemente o setor. A partir de então, os produtores concentraram esforços no mercado interno, garantindo a continuidade da atividade.
Mesmo diante de novos desafios, como a síndrome da mancha branca em 2016 e a pandemia de Covid-19, a produção brasileira de camarão cultivado conseguiu se recuperar, alcançando 120 mil toneladas em 2021, o dobro do registrado cinco anos antes.
Ceará: protagonista e exemplo de resiliência
O Ceará consolidou-se como líder absoluto da carcinicultura nacional. Em 2021, o estado produziu 56,6 mil toneladas, o que representa 47% do total brasileiro. Nos últimos dez anos, a produção cearense cresceu 271%, mesmo sem políticas públicas de incentivo, já que 98,3% dos empreendimentos utilizam apenas recursos próprios.
O crescimento pode ser medido em diferentes frentes: o número de fazendas ativas aumentou 450%, passando de 325 para 1.786 entre 2011 e 2021; os municípios produtores saltaram de 21 para 59; e mais de 6,7 mil hectares de terras improdutivas foram transformados em áreas de criação de camarão, muitas delas com técnicas de recirculação de água e mitigação de impactos ambientais.
Um setor que gera empregos e transforma comunidades
A carcinicultura é uma das atividades do agronegócio que mais gera empregos. Estima-se uma média de 3,75 postos de trabalho por hectare de viveiro, entre diretos e indiretos. No auge da produção, em meados dos anos 2000, o setor chegou a movimentar cerca de 560 mil empregos no Nordeste.
No Ceará, os números reforçam o impacto social. No Perímetro Irrigado de Morada Nova, são 700 empregos diretos e 1.400 indiretos. Em Jaguaruana, outros 58 postos de trabalho foram criados em pequena escala. Além disso, projetos de capacitação e investimentos, como os R$ 1,3 milhão aplicados pela Codevasf, beneficiam pequenos produtores, fortalecendo a inclusão social e produtiva.
Dados: Censo 2021 (Promovido pela ABCC e unidades estaduais do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí).
O Futuro da Atividade
Com tecnologia, boas práticas ambientais e manejo sustentável, a carcinicultura mantém-se como uma das atividades mais rentáveis do agronegócio. O Ceará, à frente da produção nacional, mostra como a atividade é capaz de gerar renda, empregos e desenvolvimento regional, consolidando-se como um setor estratégico para o futuro do agronegócio brasileiro.
📌 Próxima pauta: Morada Nova será palco do IV Seminário de Aquicultura, que vai discutir biossegurança e o protagonismo feminino no setor. Um evento que reforça a importância da atividade e aponta caminhos para o futuro da cadeia produtiva no Ceará.
O IV Seminário de Biossegurança será destaque na TV Portal AgroMais. Assista, comente e compartilhe no YouTube para acompanhar tudo sobre o futuro da aquicultura no Ceará.