O Ceará segue ampliando sua fronteira agrícola com culturas alternativas que unem inovação, viabilidade econômica e adaptação ao clima. No episódio de hoje do Panorama do Agro, Jak Diógenes apresenta o avanço do açaí irrigado e do cacau tecnificado, duas atividades que vêm transformando a produção no Estado — do litoral ao sertão.
🌱 Açaí irrigado: a cultura que “virou cearense”
O açaí, antes restrito às áreas de várzea e clima úmido do Norte, encontrou no Ceará um novo território para expandir. O chamado açaí de terra firme, cultivado em regiões irrigadas, mostrou uma adaptação surpreendente:
- Produção contínua durante os 12 meses do ano
- Demanda crescente em academias, cafeterias e pontos de venda
- Baixo consumo de água quando comparado a outras frutíferas
- Possibilidade de aproveitamento integral da planta — incluindo a semente, rica em óleos para cosméticos e produtos naturais
Produtores da região litorânea e do Vale do Curu relatam ganhos consistentes de produtividade, qualidade sensorial superior (com maior teor de sólidos solúveis — o brix) e um mercado forte para expansão.
Segundo produtores entrevistados, o açaí irrigado do Ceará apresenta sabor naturalmente mais adocicado graças às mais de 3.200 horas de sol por ano, tornando-se competitivo até com o produto do Pará.
A atividade já gera emprego direto estimado em uma pessoa por hectare e deve crescer com novos investimentos privados e apoio dos órgãos estaduais.
🍫 Cacau no semiárido: tecnologia, irrigação e alta rentabilidade
Outro destaque é o cacau cultivado no Vale do Jaguaribe em sistemas irrigados e integrados. Implantado há pouco mais de uma década, o cultivo mostrou resultados muito acima da média nacional.
Entre os avanços técnicos:
- Teste de 12 clones, com seleção de 6 materiais altamente produtivos
- Produtividade de 2.500 a 3.000 kg de amêndoas por hectare, superando regiões tradicionais
- Baixa incidência de doenças como a vassoura-de-bruxa, favorecida pelo clima seco
- Ciclo mais rápido:
- 3 anos para entrar em produção no Ceará
- 5 anos em outros estados produtores
O manejo utiliza irrigação fracionada em pulsos, garantindo eficiência hídrica e redução de perdas. A verticalização também avança: além de produzir amêndoas premium, empreendedores locais já iniciaram a fabricação de nibs, manteiga de cacau, pó e chocolates artesanais de alto valor agregado.
Com o preço da amêndoa atingindo R$ 60/kg, a cultura se tornou uma das mais rentáveis do semiárido, com projeções de expansão superior a 120 hectares nos próximos anos.
🌾 Histórias que inspiram: o produtor que virou referência em exportação
O programa também apresentou a trajetória de Edson Brock, produtor de bananas em Limoeiro do Norte, cuja história une vocação exportadora, inovação e resiliência.
Com 26 anos dedicados à bananicultura, Edson se tornou referência nacional na exportação da fruta. Ele destaca:
- A importância da gestão e profissionalização
- O papel da tecnologia na produção contínua
- A busca constante pela qualidade
- A visão de futuro e diversificação para outras culturas
“Banana é como família: mãe, filha, neta. A gente cuida como se fosse parte da gente”, afirma Edson, reforçando o cuidado com irrigação, manejo e sustentabilidade.
🌞 O agro que floresce onde poucos acreditavam
O episódio reforça que o Ceará reúne as condições para liderar novas cadeias produtivas graças à combinação de:
- Solo e clima abundantes em radiação solar
- Avanços em irrigação e manejo tecnificado
- Empreendedores dispostos a inovar
- Ações de apoio técnico e políticas públicas
- Crescimento do mercado consumidor local e nacional
Do açaí ao cacau, da banana às culturas emergentes, o agro cearense mostra que é possível produzir com eficiência, qualidade e valor agregado — transformando paisagens, economias e comunidades inteiras.
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