Projeto Halal Ceará começa a ser estruturado como uma estratégia para levar carne de ovinos e caprinos do Estado ao mercado halal. A iniciativa será apresentada na Gulfood 2026, feira internacional de alimentos e bebidas que ocorre entre 26 e 30 de janeiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O plano mira países de maioria muçulmana e exige mudanças práticas na cadeia produtiva.
A proposta é coordenada pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE). Além disso, envolve parcerias com entidades do setor e instituições de pesquisa e ensino. O objetivo é adequar a produção local às exigências religiosas e técnicas relacionadas ao padrão halal.
Projeto Halal Ceará e a nova régua de exigências para o produtor
A entrada no mercado halal depende de critérios específicos. Por isso, o Projeto Halal Ceará tende a elevar a régua de padronização e controle do campo ao abate. Esse movimento aumenta a necessidade de alinhamento entre produtores, assistência técnica e estruturas industriais.
Na prática, o projeto aponta para uma cadeia mais organizada. Isso inclui atenção ao manejo, à rastreabilidade e à consistência do produto final. Além disso, reforça a importância de capacitação e padronização do rebanho para atender requisitos de compradores internacionais.
O foco em ovinos e caprinos está ligado à tradição da atividade no interior do Estado, especialmente no semiárido. Com isso, a agenda pode ganhar tração regional se houver coordenação entre oferta, escala e qualidade.
Da fazenda ao frigorífico: certificação e infraestrutura entram no centro
Para transformar intenção em embarque, o caminho passa por infraestrutura. O Projeto Halal Ceará prevê ações que conectam base produtiva, frigorificação e logística. Esse encadeamento é decisivo para reduzir ruídos e evitar gargalos.
Entre os pontos esperados estão a implantação de frigoríficos especializados e o avanço de processos de certificação halal. Esses passos dependem de governança, padronização e integração entre diferentes elos. Além disso, exigem previsibilidade para que o investimento faça sentido.
Outro ponto é a logística. Exportar exige planejamento e rotas claras. Por isso, a estrutura do projeto tende a pressionar por organização do fluxo, desde a origem até a entrega, com controles que sustentem a reputação do produto no destino.
Por que a Gulfood 2026 pode acelerar o interesse pelo semiárido
A Gulfood 2026 funciona como vitrine para negócios e parcerias internacionais. Nesse contexto, a apresentação do Projeto Halal Ceará sinaliza intenção de posicionamento do Estado em mercados de maioria muçulmana, com foco inicial em carne de ovinos e caprinos.
Esse tipo de agenda costuma gerar efeitos indiretos. A cadeia local passa a olhar para requisitos de mercado com mais atenção. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por escala, regularidade e padronização. Com isso, o semiárido pode entrar no radar de investimentos se a cadeia conseguir entregar consistência.
O movimento também amplia a necessidade de articulação entre setor público, entidades e produtores. Quando a exigência aumenta, a coordenação vira parte do produto. Ainda assim, o potencial só se confirma se houver avanço prático em certificação, infraestrutura e capacidade de oferta.
O Projeto Halal Ceará reforça uma tendência de mercado: vender para fora exige organização por dentro. A proposta coloca ovinos e caprinos no centro de uma estratégia de acesso a novos destinos. Ao mesmo tempo, deixa claro que a oportunidade depende de padronização, certificação e estrutura ao longo de toda a cadeia.
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