ATEGS no Ceará já beneficia mais de 2.400 produtores rurais com assistência técnica e gerencial gratuita por até dois anos. O programa, desenvolvido pelo SENAR em parceria com a FAEC, se consolidou como uma das iniciativas mais efetivas de modernização do campo cearense. Os dados reforçam esse impacto: propriedades acompanhadas pelo programa registraram aumento de até 35% na rentabilidade média, além de avanços expressivos em organização financeira, controle de custos e acesso a crédito. O resultado não veio por acaso. Ele é fruto de um modelo de atuação que combina, de forma integrada, orientação técnica produtiva e capacitação gerencial — dois pilares que, historicamente, raramente andam juntos no campo. Campo e gestão: o diferencial que separa a ATEGS dos demais programas A lógica da ATEGS é simples, mas poderosa. Cada grupo reúne 30 produtores de uma mesma cadeia produtiva. Um técnico de campo acompanha esses produtores durante 24 meses, realizando visitas de quatro horas diretamente na propriedade. Nessas visitas, o atendimento vai além do manejo produtivo. O técnico orienta sobre organização do negócio, leitura de indicadores e planejamento financeiro. O objetivo central é fazer com que o produtor passe a enxergar a propriedade como uma empresa — com entradas, saídas, metas e margem. Os indicadores coletados ao longo do ciclo, comparando o início e o fim dos 24 meses de acompanhamento, mostram o crescimento real de cada produtor. É possível medir o quanto a propriedade evoluiu em produtividade, eficiência e gestão. Esse rastreio por resultado é o que diferencia a ATEGS de um atendimento técnico convencional. 100 novos grupos: expansão histórica será lançada no PEC Nordeste A ATEGS Ceará dá um salto significativo em junho deste ano. Durante o PEC Nordeste, o SENAR vai lançar um novo projeto de assistência técnica e gerencial com 100 grupos simultâneos — a maior expansão já realizada pelo programa no estado. Para que um município participe, o secretário de agricultura deve procurar o sindicato local dos produtores rurais e mobilizar um grupo de 30 produtores de uma mesma cadeia produtiva. A articulação começa pela base territorial: sindicato, município e produtores organizados. Para profissionais da área de ciências agrárias que desejam atuar como técnicos de campo, o SENAR abre processo de credenciamento. O contato pode ser feito pelo telefone (85) 3535-8000. Com a chegada dos 100 novos grupos, a demanda por técnicos qualificados aumenta — e o programa oferece estrutura, metodologia e suporte para quem quiser fazer parte dessa missão. Gestão no campo: o agro cearense não pode mais crescer sem ela O agronegócio do Nordeste avança com consistência. Mas ainda enfrenta obstáculos estruturais que limitam seu potencial real: informalidade na gestão, dificuldade de acesso a crédito, ausência de controle de custos e baixa organização das cadeias produtivas. A ATEGS mostra, com dados concretos, que a solução não está apenas na tecnologia ou nos insumos. Está na capacidade do produtor de gerir bem o que já tem. Quando a orientação técnica encontra a educação financeira e gerencial, o campo responde com crescimento sustentável. Com 100 grupos sendo formados, o Ceará dá um passo estratégico rumo a um agronegócio mais competitivo, organizado e preparado para o futuro. Municípios, técnicos e produtores que quiserem fazer parte dessa expansão têm, agora, uma janela concreta de entrada. O programa está aberto. O campo está pronto. A gestão é o próximo passo.
Exportação de carnes: Brasil amplia frentes e reduz riscos
A exportação de carnes brasileiras acaba de ganhar um novo destino. Em 7 de abril de 2026, o Brasil foi autorizado a vender 17 produtos agropecuários para a Etiópia, incluindo carne bovina, suína e de aves. A abertura não rivaliza, em volume imediato, com mercados como China ou Oriente Médio. Mas, do ponto de vista estratégico, o movimento importa — e muito. O contexto global exige essa leitura. Tensões comerciais crescentes, disputas tarifárias e instabilidades geopolíticas tornaram a concentração de destinos um risco real para quem vive do campo. Quando um mercado fecha ou retrai, toda a cadeia sente. A resposta estrutural a esse problema tem nome: diversificação. O que o Brasil vai exportar para a Etiópia A habilitação cobre 17 produtos agropecuários. Os itens confirmados incluem carne bovina, carne suína e carne de aves — base sólida da pauta exportadora nacional. Para que um produto brasileiro seja aceito em um novo país, o processo é rigoroso. O Ministério da Agricultura e Pecuária conduz as negociações bilaterais, que envolvem protocolos sanitários, visitas técnicas e acordos formais com as autoridades do país importador. Cada autorização representa meses — às vezes anos — de trabalho diplomático e técnico. Por isso, cada nova abertura é um ativo que o setor leva tempo para construir. A notícia com a Etiópia é o resultado visível de um esforço que acontece nos bastidores da política agrícola internacional. Por que diversificar mercados é decisivo para o agro A exportação de carnes do Brasil está concentrada em poucos destinos. China, Estados Unidos e países do Oriente Médio absorvem parcela expressiva das vendas externas. Essa concentração garante volume, mas também cria exposição. Qualquer mudança sanitária, tarifária ou política nesses mercados afeta diretamente os preços e o ritmo de escoamento da produção nacional. A diversificação existe para romper essa dependência e distribuir o risco ao longo de uma carteira mais ampla de compradores. A Etiópia não é um mercado pequeno por acidente geográfico. É um dos países mais populosos do continente africano. E a África, em termos gerais, atravessa um processo de urbanização acelerada, com crescimento do consumo de proteína animal impulsionado por mudanças de hábito alimentar. Esse movimento cria uma fronteira de médio e longo prazo para o agro brasileiro. Abrir mercados agora significa criar canais. Esses canais podem ser escalados conforme a demanda local cresce. O resultado não vem amanhã — mas quem não planta hoje não colhe depois. Exportação de carnes: o que muda para produtores e frigoríficos Para quem opera na cadeia produtiva, mais destinos significam mais opções. Mais opções significam menos vulnerabilidade. Quando a demanda recua em um mercado ou os preços oscilam, a existência de outros canais de venda amortece o impacto. Há também uma consequência direta sobre os padrões da produção. A exportação de carnes para novos mercados exige cumprimento de protocolos sanitários reconhecidos internacionalmente. Isso pressiona toda a cadeia — do produtor ao frigorífico — a manter e elevar seus padrões. E padrões mais altos, no longo prazo, fortalecem a competitividade do Brasil frente a outros países exportadores. A abertura com a Etiópia pode, ainda, funcionar como referência para outras negociações no continente africano. O agronegócio brasileiro tem escala, diversidade produtiva e eficiência para atender múltiplos mercados de forma simultânea. A questão não é se a África vai se consolidar como destino relevante para a exportação de carnes do Brasil. A questão é quando — e quem vai estar posicionado quando isso acontecer.
Frigorífico em Iguatu: novo passo decisivo para a pecuária
Frigorífico em Iguatu — a assinatura de um memorando para a instalação de uma nova unidade de processamento de proteína animal no município projeta uma virada relevante para a cadeia pecuária do interior do Ceará. Com capacidade inicial de abate de 500 cabeças por dia, podendo alcançar até mil, o projeto representa um salto de infraestrutura esperado há anos pelos produtores da região. A iniciativa foi articulada pelo Sistema Faec/Senar/Sinrural e marca o início formal de um processo que, se concluído, posicionará Iguatu como polo estratégico de processamento animal no centro-sul cearense. A projeção é de que entre 700 e 1.000 empregos diretos sejam gerados com a operação. Da porteira ao mercado: o que o frigorífico resolve na prática O pecuarista cearense convive com um gargalo antigo. A distância dos grandes centros de abate reduz seu poder de negociação e encarece a logística. Quando não há uma unidade próxima, o produtor negocia em condições desiguais — aceita o preço que lhe é oferecido ou arca com o custo de levar o gado até o comprador. A instalação de um frigorífico em Iguatu encurta esse caminho de forma direta. Com uma estrutura de abate no interior, o produtor passa a ter um ponto de escoamento local, com reflexo imediato na dinâmica de precificação. Quando a competição regional por abate cresce, o gado local ganha mais valor. Além disso, a proximidade com o processamento reduz os custos de transporte e minimiza perdas durante o percurso — dois fatores que afetam diretamente a rentabilidade da atividade pecuária, especialmente para pequenos e médios produtores. Geração de empregos e impacto no desenvolvimento regional A projeção de até 1.000 empregos diretos coloca o projeto em outro nível de importância: ele deixa de ser apenas uma notícia do agro e passa a ser um vetor de desenvolvimento territorial. Iguatu já é referência regional no centro-sul do Ceará, e a chegada de uma unidade frigorífica consolida esse papel com mais musculatura econômica. Os postos de trabalho gerados tendem a ter perfil técnico e operacional, criando demanda real por mão de obra local. Isso movimenta a economia do município além da porteira — comércio, serviços, transporte e habitação absorvem os reflexos diretos e indiretos da operação. Para o agro regional, um investimento desse porte ainda atrai atenção de fornecedores, integradores e outros agentes da cadeia produtiva. O ciclo que se forma vai além do próprio frigorífico: cria um ecossistema de negócios ao redor da unidade. Acesso a mercados nacionais e internacionais: a oportunidade que se abre Um frigorífico regularizado abre portas que a comercialização informal ou sem certificação não consegue. Para o pecuarista cearense, isso significa a possibilidade concreta de participar de mercados com maior exigência e, consequentemente, maior remuneração. Uma unidade com capacidade para processar até mil cabeças por dia posiciona a região para abastecer redes varejistas nacionais e, a médio prazo, atender protocolos de exportação. Esse salto depende de rastreabilidade, regularização sanitária e organização da cadeia — e começa exatamente com a formalização de projetos como este. O memorando assinado é o ponto de partida. O próximo passo será o detalhamento técnico, a definição do modelo de operação e a mobilização dos produtores da região para que a cadeia esteja preparada para responder à demanda que a unidade vai gerar. O agro cearense vive um momento de atenção estratégica crescente. Projetos que fortalecem a infraestrutura regional, como o frigorífico em Iguatu, não apenas respondem a demandas antigas dos produtores — eles reposicionam o Ceará no mapa da pecuária nacional. Para quem produz, investe ou atua no setor, acompanhar essa evolução deixou de ser opcional.