A Corrida do Agro Limoeiro consolidou sua segunda edição com quase 800 atletas e uma mensagem que vai além das pistas: o esporte e o agronegócio caminham juntos no interior do Ceará. O evento, realizado em Limoeiro do Norte, reuniu corredores de diferentes perfis, celebrou o protagonismo feminino e confirmou a cidade como novo polo esportivo da região. A programação fez parte de uma edição especial em homenagem ao Dia da Mulher. Para esse momento, o Portal AgroMais foi ao encontro de quem representa, como poucos, a força da mulher do interior. De Limoeiro para o mundo: a história de Cândida Regis Cândida Regis é natural de Limoeiro do Norte e uma das ultramaratonistas mais expressivas do esporte cearense. Recentemente, ela concluiu uma ultramaratona de 214 quilômetros na França — percurso completado em 24 horas. O retorno à cidade foi à altura: ela foi recebida com ovação dentro de um carro de bombeiros, em cenas que emocionaram a população local. Presente na segunda edição da Corrida do Agro, Cândida concedeu entrevista ao Portal AgroMais e falou sobre o significado da corrida na vida de quem escolhe o esporte como estilo de vida. “A palavra-chave é perseverança”, disse a atleta. “A corrida liberta a gente de muita coisa, psicologicamente, fisicamente. Você vê a vida com outros olhos.” Para ela, a corrida precisa ser tratada como prioridade, não como luxo. “Coloque como prioridade na sua vida, como se fosse um remédio. Você faz algo por você, pela sua saúde, pelo seu bem-estar”, completou. O campo abraça a cidade dentro da corrida do agro A Corrida do Agro nasceu com uma proposta que a diferencia de qualquer outro evento do gênero: unir o universo rural e o urbano dentro de uma única prova. Limoeiro do Norte, referência nacional na fruticultura irrigada do Nordeste, encontrou no esporte mais um espaço para mostrar a força do campo. Cândida Regis foi direta ao identificar o diferencial do evento. “A gente reúne o amor do campo com o amor da cidade. Somos uma cidade do interior, somos o campo. A Corrida do Agro só vem fortalecer esse amor cada vez mais.” Do ponto de vista do ecossistema JBD — que acompanhou e cobriu o evento pelo Portal AgroMais —, a corrida representa muito mais do que uma prova atlética. É um produto de comunicação territorial. Um evento que conecta marcas, histórias e comunidades, gerando narrativa e legado para a região. Limoeiro do Norte vivencia, como descreveu a própria Cândida, “uma nova vibe — a vibe da corrida”. Moradores que antes não tinham contato com o esporte passaram a correr. O movimento cresce de forma orgânica, impulsionado por atletas que inspiram e por uma organização que evolui a cada edição. Terceira edição já é esperada como a maior de todos os tempos A segunda Corrida do Agro encerrou com avaliações amplamente positivas. Atletas elogiaram a estrutura, a organização e o nível geral do evento. O número de inscritos — quase 800 participantes — consolida a prova como a maior corrida do interior do Ceará. Cândida Regis já confirmou presença na próxima edição e convoca a comunidade a se preparar. “Se Deus quiser, estaremos aqui. Se prepare que a terceira corrida do agro deve ser ainda maior.” O movimento iniciado em Limoeiro do Norte aponta para um crescimento consistente do esporte no interior nordestino. A Corrida do Agro prova que, quando o campo se organiza e a comunidade abraça uma causa, o resultado é de alto nível — dentro e fora das pistas. Quer acompanhar as próximas coberturas do Portal AgroMais? Curta, comente, compartilhe e se inscreva na TV Portal AgroMais para não perder nenhuma história do agro brasileiro.
Projeto São José Ceará: nova fase garante segurança hídrica
O Projeto São José Ceará está no centro de uma movimentação estratégica entre o Governo do Estado e o Banco Mundial. Em 12 de março, representantes das duas instituições se reuniram para discutir os próximos passos do financiamento de novas fases do programa — que inclui também a Malha D’água, outra iniciativa voltada ao desenvolvimento hídrico e rural do estado. A discussão chega em momento decisivo para o agronegócio cearense. O semiárido nordestino ainda enfrenta a vulnerabilidade hídrica como um dos principais obstáculos à produção agropecuária. Iniciativas estruturantes como o Projeto São José têm papel central nesse enfrentamento. A Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA) coordena as tratativas. O objetivo é avançar nas negociações de financiamento e ampliar o alcance das ações já consolidadas pelo programa ao longo dos anos. Parceria com o Banco Mundial reforça escala e continuidade O envolvimento do Banco Mundial nas negociações reforça o peso institucional do projeto. A instituição é uma das principais fontes de financiamento para programas de desenvolvimento rural no Brasil, e sua participação indica que as novas fases devem ganhar maior escala e robustez técnica. Projetos com respaldo de organismos internacionais tendem a ter maior capacidade de execução, monitoramento e continuidade. Esses fatores fazem diferença direta na vida do produtor rural e na gestão das comunidades atendidas — e distinguem ações pontuais de transformações estruturais. A articulação entre governo estadual e financiador internacional sinaliza ainda maturidade institucional: o Ceará posiciona suas políticas de desenvolvimento rural como projetos de longo prazo, não apenas como respostas emergenciais à seca. Malha D’água: infraestrutura hídrica como base para o semiárido produtivo A Malha D’água é um dos eixos centrais da nova fase. O programa foca na segurança hídrica em áreas rurais, conectando comunidades e propriedades produtivas a fontes e sistemas de armazenamento de água. No semiárido, esse tipo de infraestrutura não é apenas um benefício — é condição básica para viabilizar produção agrícola e pecuária. Sem acesso estável à água, ciclos produtivos são interrompidos, animais são perdidos e famílias deixam o campo. A combinação entre o Projeto São José e a Malha D’água cria um conjunto de soluções complementares. Enquanto um atua no fortalecimento das comunidades rurais como um todo — com infraestrutura social, produtiva e de renda —, o outro garante o recurso essencial para qualquer atividade no campo. Juntos, os dois programas compõem uma estratégia integrada de desenvolvimento territorial. O que a nova fase do Projeto São José Ceará significa para o produtor rural Para quem produz no Ceará, o avanço nas negociações com o Banco Mundial representa uma perspectiva concreta de ampliação dos benefícios já reconhecidos do programa. Na prática, novas fases tendem a significar: mais comunidades atendidas, melhoria de infraestrutura existente, acesso a cisternas e sistemas de irrigação, apoio técnico continuado e maior integração com políticas estaduais de desenvolvimento rural. O impacto vai além da produtividade imediata. A segurança hídrica permite planejamento de médio e longo prazo, aumenta a capacidade de investimento do produtor e reduz a dependência de assistência emergencial nos períodos de estiagem. Para o agronegócio cearense, a consolidação dessas iniciativas é um sinal de que o estado avança na construção de um ambiente mais favorável à permanência e ao crescimento das atividades rurais — mesmo em regiões historicamente marcadas pela irregularidade climática. As negociações seguem em curso. Os detalhes sobre prazos, valores e abrangência territorial da nova fase devem ser divulgados pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário nos próximos meses.
Café resistente ao clima: guia essencial para produtores
Café resistente ao clima deixou de ser uma promessa distante e passou a ser objeto de testes concretos no Brasil. Pesquisadores brasileiros iniciaram, em março de 2026, avaliações com novas variedades da cultura capazes de suportar condições adversas, como períodos prolongados de seca, infestações de pragas e incidência de doenças. A iniciativa representa um passo decisivo para adaptar a cafeicultura nacional às transformações climáticas em curso — e pode consolidar ainda mais a posição do Brasil como maior produtor mundial de café. O momento é estratégico. As mudanças no clima já impactam regiões produtoras em diferentes partes do país, alterando regimes de chuva, elevando temperaturas médias e ampliando a ocorrência de eventos extremos. Para o produtor rural, isso significa instabilidade na produção, aumento de custos e pressão constante sobre a rentabilidade da lavoura. A pesquisa com variedades mais resilientes surge, portanto, não como opção, mas como resposta necessária ao cenário que o setor enfrenta. Por que a resistência genética do café importa para o mercado A cafeicultura brasileira ocupa posição singular na cadeia global do agronegócio. O Brasil lidera a produção mundial há décadas e é responsável por fatia expressiva das exportações do setor. Qualquer ameaça à estabilidade produtiva do país repercute diretamente nos preços internacionais e na competitividade das empresas que dependem do grão. Variedades geneticamente adaptadas ao clima oferecem uma vantagem competitiva de longo prazo. Quando uma planta tolera melhor a seca, por exemplo, o produtor reduz a dependência de sistemas de irrigação, diminui custos operacionais e mantém a produtividade mesmo em anos de estiagem severa. Da mesma forma, maior resistência a pragas e doenças reduz o uso de defensivos, impacto financeiro e tempo de manejo. Para os mercados compradores — especialmente Europa e América do Norte, onde a pauta ESG já exerce influência direta sobre a escolha de fornecedores — um café produzido com menor uso de insumos e maior eficiência hídrica agrega valor ao produto final e abre portas para certificações e prêmios de qualidade. O impacto, portanto, não é apenas agronomico. É econômico e comercial. O que o produtor precisa entender sobre as novas variedades A adoção de variedades resistentes não acontece da noite para o dia. Os testes em andamento representam a fase de validação científica — etapa fundamental para que novas cultivares cheguem ao campo com segurança agronômica e respaldo técnico. Esse processo envolve avaliação de desempenho em diferentes regiões, análise de qualidade de bebida, estudo de adaptabilidade ao solo e verificação de comportamento frente a condições climáticas extremas. Somente após esse ciclo as variedades são disponibilizadas comercialmente para o produtor rural. É nesse momento que o cafeicultor precisa estar conectado às fontes corretas de informação. A decisão de renovar um cafezal ou introduzir uma nova variedade envolve planejamento financeiro, conhecimento técnico e acesso a assistência especializada. Produtores que se antecipam a essas tendências, acompanham a evolução das pesquisas e estabelecem diálogo com extensionistas e cooperativas saem na frente. A inovação genética chega ao campo pelas mãos de quem decide se informar. E nesse processo, cada ciclo de testes que avança é uma oportunidade que se aproxima. O cenário de médio e longo prazo para a cafeicultura brasileira As mudanças climáticas não vão desacelerar. Ao contrário, a tendência aponta para eventos cada vez mais frequentes e intensos nas próximas décadas. Para a cafeicultura, isso significa que o investimento em adaptação não é gasto — é proteção de patrimônio produtivo. O Brasil tem estrutura científica e histórico de pesquisa que poucos países no mundo possuem. A combinação de capacidade técnica, extensão territorial e diversidade climática permite desenvolver e testar variedades para diferentes realidades regionais. Isso é, ao mesmo tempo, responsabilidade e oportunidade. Os produtores que hoje acompanham os avanços da ciência aplicada ao café colhem amanhã os frutos de uma lavoura preparada para o futuro. O cafeicultor que investe em conhecimento, que entende o que muda no campo e por que muda, não apenas sobrevive às transformações — ele lidera o mercado. Acompanhe o Portal AgroMais para receber as atualizações sobre inovação, tecnologia e pesquisa aplicada ao agronegócio brasileiro.