Óleos essenciais da caatinga estão transformando o sertão do Ceará. O projeto Aromas no Sertão, desenvolvido no IFCE Campus Boa Viagem, extrai substâncias de plantas nativas do bioma. O objetivo é claro: gerar renda para comunidades locais e atender a indústria do bem-estar. A iniciativa integra a Rota da Economia Circular, do Ministério da Integração. Assim, o projeto ganha força institucional e conexão com uma agenda nacional de sustentabilidade. O que é o projeto Aromas no Sertão O projeto atua em dois eixos principais. O primeiro foca na extração de óleos essenciais. O segundo trabalha com adsorção — técnica que remove contaminantes da água. Os óleos essenciais vêm de plantas aromáticas. Eles podem ser extraídos da casca, da raiz, da flor ou da folha. Portanto, a diversidade da caatinga é um ativo direto do projeto. O método de extração é a hidrodestilação. Trata-se de um processo simples e de baixo custo. Por isso, ele se torna viável mesmo em regiões com poucos recursos. Como os resíduos viram solução ambiental Após a extração dos óleos, sobram resíduos. Em vez de descartá-los, a equipe os reaproveitou. Esses resíduos alimentam o processo de adsorção. A adsorção funciona assim: contaminantes se fixam na superfície de um material sólido. Com isso, a concentração de substâncias tóxicas na água cai. Pesticidas e herbicidas, por exemplo, são eliminados dessa forma. O impacto é direto. Regiões semiáridas sofrem com escassez de água. Portanto, descontaminar rios e açudes com materiais locais representa avanço real para o campo. Marmeleiro e arueira: plantas que valem dinheiro Duas espécies nativas se destacam no projeto: o marmeleiro e a arueira. Ambas são abundantes na caatinga. Além disso, oferecem propriedades antioxidantes, antimicrobianas e relaxantes. Esses atributos abrem portas no mercado. Os óleos conquistam espaço em cosméticos, produtos de saúde e aromaterapia. No entanto, o valor vai além do produto final. Quando a planta viva gera renda, a comunidade passa a protegê-la. Dessa forma, a preservação da caatinga deixa de ser apenas obrigação legal. Ela vira estratégia econômica. A caatinga como ativo do agronegócio regional A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Mesmo assim, por muito tempo foi tratada como símbolo de pobreza. O projeto Aromas no Sertão inverte essa lógica. O bioma passa a ser visto como ativo produtivo. Assim, produtores e comunidades enxergam na flora nativa uma fonte real de negócio. O mercado global de óleos essenciais cresce ano a ano. Saúde natural, bem-estar e cosméticos sustentáveis puxam essa demanda. O semiárido cearense, portanto, está posicionado para ocupar espaço nessa cadeia. O próximo passo é escalar. Para isso, são necessários estrutura, capacitação e apoio institucional. O IFCE Boa Viagem já deu o passo inicial. Cabe ao ecossistema produtivo do Nordeste avançar junto.
Soja: Por Que Produtores Perdem Dinheiro Ignorando a Base
O preço da soja no mercado interno brasileiro não segue, de forma automática, as altas registradas na Bolsa de Chicago. Isso ficou evidente nesta quarta-feira, 4 de março, quando o mercado externo apresentou melhora na referência internacional, mas o reflexo nas praças brasileiras foi fragmentado — e, em alguns casos, praticamente nulo. O movimento expõe uma dinâmica que todo produtor e operador de mercado precisa dominar: entre a CBOT e o preço pago no campo existe uma cadeia de variáveis que pode amplificar ou anular qualquer sinal externo. Ignorar essa cadeia é uma das principais causas de frustração na hora de fechar negócio. Chicago sobe, mas o preço da soja no Brasil segue suas próprias regras A alta em Chicago melhora a referência internacional para a soja brasileira. No entanto, o repasse dessa valorização depende, em primeiro lugar, do comportamento do câmbio. Uma apreciação do real frente ao dólar pode neutralizar completamente o ganho registrado na CBOT — já que a soja é cotada em dólar e o produtor recebe em reais. O segundo fator determinante é a chamada “base”. Trata-se da diferença entre o preço praticado na praça local e o preço de referência internacional. Essa base é influenciada pelo frete, pela disponibilidade de armazéns, pelo nível de ocupação nos portos e pela disposição das tradings em absorver novos volumes. Quando esses elementos estão pressionados — fila nos terminais, frete elevado, originação travada — a base cai. O resultado prático é que praças diferentes podem registrar comportamentos opostos no mesmo dia, mesmo com Chicago em alta. O que é a base e por que ela define o repasse real ao campo A base é, na prática, o termômetro regional do mercado de soja. Ela mede o custo logístico e a disposição comercial em uma determinada região. Quando está negativa e pressionada, o produtor recebe abaixo do que a referência internacional sugeriria. Regiões com maior distância dos portos de exportação sofrem mais com esse desconto. O frete longo consome parte do prêmio que a alta em Chicago poderia gerar, reduzindo o valor final entregue ao produtor na ponta da comercialização. Por isso, a leitura correta do mercado exige acompanhar três variáveis de forma simultânea: a CBOT, o câmbio e a base regional. Analisar apenas o mercado externo significa tomar decisões de comercialização com informação incompleta — e isso tem custo. Como agir de forma estratégica na comercialização da soja Em dias de alta em Chicago, o primeiro passo é verificar o comportamento do câmbio no mesmo momento. Se o real estiver se valorizando, o ganho externo pode ser neutralizado antes mesmo de chegar à cotação doméstica. O segundo passo é consultar a base praticada na praça mais próxima. Operadores e corretoras regionais atualizam essas informações com frequência. A comparação com a base histórica da região permite avaliar se o momento é favorável à comercialização ou se vale aguardar uma melhora das condições logísticas. O cenário atual reforça a importância de uma estratégia de comercialização estruturada — com travas parciais, uso de instrumentos de proteção de preço e monitoramento contínuo das variáveis de mercado. Decisões tomadas apenas com base na CBOT, sem considerar câmbio e base, tendem a gerar perdas reais na liquidação. Acompanhe as cotações, análises e movimentos do mercado de grãos no Portal AgroMais.
Projeto São José licitação: como reduzir erros essenciais
O Projeto São José licitação ganhou novo fôlego em fevereiro de 2025. A Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA) concluiu o segundo ciclo de capacitações sobre processos licitatórios, com foco em qualificar os agentes responsáveis pela execução dos investimentos destinados à agricultura familiar no estado. A iniciativa responde a um dos principais gargalos que travam a chegada de recursos ao campo: o erro técnico-burocrático. Quando um processo licitatório é conduzido de forma incorreta, o recurso aprovado não chega. Obras atrasam. Associações acumulam retrabalho. E o produtor espera. O ciclo de capacitações do Projeto São José foi estruturado exatamente para romper essa cadeia. Integra e E-Parceria: os sistemas no centro da formação A capacitação concentrou atenção nos sistemas Integra e E-Parceria. As duas plataformas são utilizadas na gestão e na prestação de contas dos recursos públicos aplicados em projetos da agricultura familiar cearense. Operá-las com segurança e precisão é o que separa uma licitação aprovada com agilidade de um processo interrompido por inconsistências técnicas. O treinamento cobriu etapas práticas dos processos licitatórios — da elaboração dos documentos ao acompanhamento das execuções. Os erros mais comuns, aqueles que seguram compras, obras e entrega de equipamentos às comunidades rurais, foram trabalhados diretamente. Para as associações de produtores, o domínio desses fluxos representa mais autonomia, mais segurança jurídica e menos dependência de intervenções externas. O projeto São José licitação também reforça um princípio estratégico: capacitar quem executa é tão importante quanto disponibilizar o recurso. Sem essa formação, o investimento público perde eficiência ainda antes de tocar o solo. O que muda na prática para produtores e associações O impacto mais direto das capacitações é medido em tempo. Quando os responsáveis pela execução dominam os procedimentos corretos, o ciclo entre a aprovação do recurso e a entrega concreta tende a ser significativamente reduzido. Para o produtor rural, isso pode representar a chegada mais rápida de uma cisterna, de um sistema de irrigação ou de uma estrutura de armazenamento. São benefícios que influenciam diretamente a capacidade produtiva e a renda de famílias no semiárido cearense. Além disso, a redução de erros nos processos protege as associações de irregularidades que poderiam comprometer futuros contratos e o acesso a novos recursos. A conformidade técnica deixa de ser obstáculo e passa a funcionar como ativo estratégico dentro do ecossistema de políticas públicas para o campo. Capacitação como política pública: o que esse movimento representa O Projeto São José é referência histórica em investimentos estruturantes para a agricultura familiar no Ceará. Ao incorporar ciclos formativos sobre licitação à sua atuação, a iniciativa deixa claro que disponibilizar recursos não é suficiente. É preciso garantir que esses recursos sejam executados com qualidade. A formação contínua de técnicos e gestores é uma das estratégias mais eficazes para elevar a qualidade da gestão pública no campo. Em um estado onde a agricultura familiar sustenta a economia de centenas de municípios e garante segurança alimentar a milhares de famílias, cada processo bem conduzido tem impacto real e territorial. O segundo ciclo de capacitações realizado em fevereiro é um passo consistente. Mas o desafio que persiste é de médio e longo prazo: transformar a excelência na execução de recursos públicos em prática permanente, e não em evento pontual. Quem acompanha o campo sabe que a diferença entre uma política que funciona e uma que falha está, muitas vezes, na qualidade de quem a executa. Acompanhe o Portal AgroMais para mais coberturas sobre políticas públicas, agricultura familiar e os projetos que estão transformando o campo cearense.