O financiamento verde ganhou nova escala no Brasil com a consolidação do Eco Invest, que já alcança R$ 128 bilhões em volume mobilizado e se prepara para novos leilões. O avanço do instrumento amplia a oferta de capital direcionado à transição climática e cria oportunidades concretas para o agronegócio, especialmente em projetos ligados à eficiência produtiva, rastreabilidade e redução de emissões. A iniciativa se posiciona como uma das principais ferramentas para conectar o mercado financeiro a projetos alinhados a critérios ambientais, sociais e de governança, em um cenário de crescente exigência por sustentabilidade e transparência. Capital climático amplia acesso a recursos no campo Com a expansão do Eco Invest, produtores rurais e agroindústrias passam a contar com maior disponibilidade de recursos para financiar iniciativas de baixo carbono. Projetos voltados à eficiência no uso de insumos, melhoria de processos produtivos e adoção de práticas sustentáveis ganham prioridade na alocação de capital. A tendência é que esse tipo de financiamento se torne cada vez mais relevante, à medida que investidores e instituições financeiras buscam ativos alinhados à agenda climática e à economia verde. Governança e dados se tornam diferencial competitivo Um dos pontos centrais do financiamento verde é a exigência de comprovação técnica e organizacional. Projetos que apresentam dados estruturados sobre emissões, produtividade, conformidade ambiental e rastreabilidade tendem a acessar o capital em condições mais atrativas. Nesse contexto, produtores e empresas do agro que já adotam sistemas de medição e organização de informações saem na frente. A governança passa a ser não apenas uma exigência regulatória, mas também um fator estratégico para ampliar o acesso ao crédito. Novos leilões reforçam estratégia de longo prazo A expectativa de novos leilões do Eco Invest reforça a continuidade da política de financiamento voltada à transição climática. O movimento sinaliza que o capital verde não será pontual, mas parte de uma estratégia de longo prazo para estimular investimentos sustentáveis em diversos setores da economia. Para o agronegócio, o cenário indica uma janela de oportunidade para estruturar projetos, adequar processos e alinhar práticas produtivas às exigências do mercado financeiro, ampliando competitividade e resiliência em um ambiente cada vez mais orientado por critérios ambientais.
Agricultura familiar ganha força com articulação no Nordeste
O Ceará ampliou sua atuação na agenda regional da agricultura familiar ao participar da Câmara Temática da Agricultura Familiar do Consórcio Nordeste. O encontro reuniu representantes dos estados nordestinos para discutir estratégias conjuntas voltadas à ampliação de mercados, com destaque para compras públicas de alimentos e a organização de circuitos regionais de feiras. A participação da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA) reforça a busca por maior integração entre os estados, com foco no fortalecimento da produção local e na ampliação das oportunidades de comercialização para agricultores familiares. Compras públicas ganham papel estratégico Entre os principais temas debatidos esteve o uso das compras públicas como instrumento de estímulo à agricultura familiar. A proposta envolve alinhar políticas estaduais e regionais para ampliar a participação de pequenos produtores no fornecimento de alimentos para programas governamentais. A articulação regional tende a criar maior previsibilidade de demanda, fator considerado essencial para o planejamento da produção e para a estabilidade de renda no campo. Circuitos de feiras ampliam canais de comercialização Outro eixo discutido foi a criação e o fortalecimento de circuitos regionais de feiras da agricultura familiar. A iniciativa busca integrar experiências já existentes nos estados do Nordeste, promovendo intercâmbio de produtos, saberes e práticas comerciais. A ampliação desses circuitos pode facilitar o acesso dos produtores a novos mercados, reduzir intermediários e fortalecer a economia local, especialmente em regiões com forte presença da agricultura familiar. Integração regional fortalece o produtor cearense Para o Ceará, a atuação no Consórcio Nordeste representa a possibilidade de ampliar canais de escoamento da produção e reduzir a dependência de mercados pontuais. A integração entre estados tende a gerar um ambiente mais estável e organizado para quem produz e precisa comercializar com regularidade. A agenda discutida na Câmara Temática aponta para um modelo de cooperação regional capaz de fortalecer a agricultura familiar, ampliar renda no campo e consolidar políticas públicas alinhadas às realidades dos territórios nordestinos.