O agro cearense inicia 2026 diante de um cenário marcado por desafios climáticos, planejamento estratégico e expectativa de crescimento. A avaliação é de que o setor segue como vetor central da economia do Estado, mas exige atenção redobrada à segurança hídrica, à infraestrutura e ao apoio direto ao produtor rural. Após um desempenho expressivo em 2024, o agronegócio do Ceará entra no novo ano com metas mais ambiciosas e ações voltadas à adaptação às condições do semiárido, à ampliação das exportações e ao fortalecimento institucional. Segurança hídrica e produção de sequeiro no centro do debate A irregularidade da quadra chuvosa aparece como uma das principais preocupações para 2026. A maior parte da produção agropecuária do Ceará depende do regime de sequeiro, o que torna o planejamento hídrico um fator decisivo para a sustentabilidade do setor. A leitura apresentada destaca a necessidade de fortalecer os sequeiros irrigados, ampliando a segurança hídrica e permitindo maior agregação de valor à produção. A estratégia é vista como fundamental para elevar a produtividade e reduzir a vulnerabilidade às estiagens, que seguem sendo cíclicas no Estado. Além disso, o armazenamento de alimentos para os animais passa a ser tratado como prática essencial. A orientação é preparar o produtor para conviver com a seca, reduzindo impactos nos períodos de escassez. Exportações mantêm ritmo e metas ganham escala Mesmo diante de obstáculos externos, como barreiras tarifárias, o agro cearense conseguiu ampliar suas exportações no último período. O desempenho reforça a competitividade do setor e sustenta a expectativa de aceleração ao longo de 2026. O planejamento para o novo ano projeta a ampliação das vendas externas, com metas mais robustas e maior organização do atendimento aos produtores. A descentralização das ações, com apoio regionalizado, surge como estratégia para aproximar entidades representativas da realidade do campo. Essa aproximação busca oferecer suporte técnico mais ágil, especialmente nas áreas de produção e conservação de volumosos, fortalecendo a base produtiva do Estado. FAEC aposta em integração, projetos e presença no interior A Federação da Agricultura do Estado do Ceará (FAEC) assume papel central na articulação das ações para 2026. O foco está em ampliar a presença junto aos produtores rurais, integrar instituições e oferecer soluções práticas para os desafios do campo. Entre as iniciativas previstas está o lançamento do projeto Conexão do Agro, que reúne entidades como FAEC, FIEC, Sebrae e outros parceiros. A proposta envolve ações sociais, orientações técnicas, palestras e serviços voltados diretamente ao produtor rural. O projeto também busca esclarecer temas recorrentes no campo, como regularização documental e organização produtiva, fortalecendo a cidadania e o acesso a políticas públicas. Além disso, programas voltados ao melhoramento genético da bovinocultura leiteira, como iniciativas de transferência de embriões e apoio às bezerras, fazem parte do planejamento para elevar a eficiência e a competitividade da produção. O cenário apresentado aponta para um ano de 2026 desafiador, mas com perspectivas positivas. A combinação entre planejamento, tecnologia, integração institucional e proximidade com o produtor é vista como o caminho para sustentar o crescimento do agro cearense e ampliar seu papel na economia do Estado.
Agricultura familiar Ceará: o que muda com novos investimentos
O Governo do Ceará realiza, no próximo dia 3 de fevereiro, a partir das 8h, no auditório da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), o seminário “O trabalho não para. A agricultura familiar do Ceará avança”. O evento contará com a presença do governador Elmano de Freitas e do secretário do Desenvolvimento Agrário, Moisés Braz. A programação marca a apresentação do Balanço de Ações da SDA referente a 2025 e o lançamento oficial do Garantia Safra 2025–2026. O encontro é voltado a prefeitos e prefeitas, secretários municipais de Agricultura, representantes de movimentos sociais, organizações e cooperativas da agricultura familiar, entidades sindicais e integrantes do Sistema SDA. Durante o seminário, serão detalhadas as principais políticas públicas executadas ao longo de 2025, com foco nos avanços obtidos pela agricultura familiar no Ceará. Também estarão em pauta as prioridades e estratégias para 2026, reforçando o planejamento das ações voltadas ao fortalecimento do campo. Outro eixo central do evento será a integração entre políticas públicas federais e estaduais, com ênfase no diálogo institucional e na ampliação das parcerias com os municípios. Balanço de ações em 2025 Ao longo de 2025, o Governo do Ceará assegurou mais de R$ 1 bilhão em investimentos destinados à agricultura familiar. Entre os principais destaques está a aprovação, no Senado Federal, de R$ 590 milhões para o Projeto Paulo Freire II. Também foram garantidos R$ 166 milhões por meio do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a implantação de 80 sistemas de abastecimento de água em 31 municípios, ampliando a segurança hídrica no meio rural. Segundo o secretário Moisés Braz, os investimentos refletem uma estratégia integrada de desenvolvimento. Ele destacou que os recursos representam um esforço conjunto para combater a pobreza no campo, ampliar o acesso à água e sementes, fortalecer a produção, incentivar práticas agroecológicas e promover um desenvolvimento rural sustentável e solidário. Projetos estruturantes e inclusão produtiva A SDA também lançou os editais do Projeto Sertão Vivo, com R$ 139 milhões destinados a ações de resiliência climática que beneficiarão 63 mil famílias em 72 municípios. Pelo Projeto São José, foram autorizados R$ 166 milhões para a execução de 241 projetos produtivos em 104 municípios cearenses. Outro destaque foi a atuação da SDA no programa Ceará Sem Fome, responsável pela aquisição de alimentos da agricultura familiar e pela distribuição diária de cerca de 130 mil refeições em todo o estado. Desde sua implantação, o programa já ultrapassou a marca de 62 milhões de refeições distribuídas, iniciativa que recebeu reconhecimento nacional do Governo Federal. Mulheres e jovens do meio rural também foram contemplados, com investimentos superiores a R$ 10 milhões por meio dos editais São José Jovem e Mulheres Rurais. Na área de crédito, o Fundo Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fedaf) disponibilizou R$ 5 milhões em empréstimos facilitados para apoiar cadeias produtivas da agricultura familiar.
Macroeconomia, geopolítica e os desafios do agro em 2026
Macroeconomia e agro caminham lado a lado em 2026, em um cenário marcado por incertezas globais, disputas geopolíticas e decisões econômicas que impactam diretamente o campo. A conversa reúne leitura estratégica e visão prática sobre como fatores externos e internos influenciam crédito, custos, investimentos e competitividade das exportações brasileiras. Juros globais, inflação e o efeito no campo A trajetória dos juros e da inflação nos Estados Unidos segue como um dos principais pontos de atenção para o agro. Mudanças na política monetária global afetam o fluxo de capital, o custo do dinheiro e o apetite por commodities agrícolas. Além disso, o ambiente internacional ainda exige cautela diante da volatilidade nos mercados financeiros, que tende a se refletir em preços de insumos, fertilizantes e energia, itens sensíveis para o planejamento do produtor. Geopolítica, energia e cadeias de suprimento Os riscos geopolíticos continuam no radar. Tensões internacionais, especialmente em regiões estratégicas, influenciam o mercado de energia e a logística global, com reflexos diretos sobre o custo de produção e o escoamento da safra. Outro ponto de destaque é a relação entre Estados Unidos e China. A dinâmica comercial entre as duas maiores economias do mundo segue determinante para o comportamento das exportações agrícolas e para a formação de preços no mercado internacional. Brasil, crédito rural e competitividade em 2026 No cenário doméstico, crescimento econômico, inflação, juros e câmbio compõem o pano de fundo das decisões no agro. A disponibilidade e o custo do crédito rural, bem como o ambiente político e regulatório, influenciam diretamente a capacidade de investimento do setor. Entender esse conjunto de variáveis se torna essencial para proteger margens, planejar a produção e manter a competitividade das exportações brasileiras em um ambiente cada vez mais desafiador.