Município cearense combina produção rural, renda e sustentabilidade Agro em Madalena ganha força no Sertão Central com ações práticas para ampliar produção, gerar renda e recuperar áreas degradadas. O município tem apostado em parcerias, assistência técnica e organização de base para fortalecer a agricultura familiar e estimular cadeias como apicultura, pecuária leiteira e ovino caprinocultura. Com cerca de 20 mil habitantes, Madalena se destaca pela vocação agropecuária e pelo peso da economia rural no cotidiano local. A estratégia combina incentivo à produção e apoio ao escoamento. Além disso, busca aproximar gestão pública, sindicatos e entidades de capacitação do produtor. Agro em Madalena avança com apoio à agricultura familiar Agro em Madalena tem como ponto central o estímulo à agricultura familiar, considerada a base produtiva do município. A prioridade tem sido mapear potencialidades, organizar demandas e direcionar investimentos para atividades com maior retorno ao produtor, como mel, leite e criação animal. O planejamento inclui formação, cursos e ações de campo para profissionalizar práticas que antes ficavam restritas à subsistência. Assim, o foco passa a ser produtividade com rentabilidade. Outro eixo é incentivar a venda, fortalecendo a lógica de mercado e reduzindo perdas no pós-produção. Parcerias e assistência técnica ampliam acesso a tecnologia O avanço do trabalho no campo depende de orientação constante e articulação local. Nesse cenário, o Sindicato Rural aparece como mediador entre produtores, gestão municipal e instituições parceiras. A atuação conjunta busca levar tecnologia e capacitação para pequenos e médios produtores, perfil predominante em Madalena. As parcerias citadas incluem Sistema FAEC-SENAR, além de conexões com instituições de apoio ao empreendedorismo e educação técnica na região. O objetivo é tornar acessíveis ferramentas de manejo, gestão e produção. Com isso, produtores podem adotar soluções que melhoram eficiência, mesmo em áreas menores e com recursos limitados. Viveiros de mudas nativas fortalecem apicultura e caatinga Um dos projetos com maior impacto local envolve a produção e distribuição de mudas nativas. A iniciativa tem dois objetivos complementares. O primeiro é recuperar a vegetação e estimular o plantio de espécies da caatinga. O segundo é fortalecer a apicultura ao ampliar a oferta de flores e, portanto, a presença de abelhas. A proposta prevê entregar mudas gratuitamente e acompanhar o desenvolvimento das plantas. Espécies como ipês, cedro e barriguda entram no plano de recomposição. Além disso, há intenção de ampliar a produção anual, com estrutura em áreas públicas que tenham água e solo adequados, e revitalização de viveiros em distritos. O projeto também busca substituir plantas exóticas por vegetação nativa e frutíferas. A medida pode ampliar sombra, umidade e diversidade, com reflexos no conforto térmico e na paisagem rural. Ao mesmo tempo, contribui para um ambiente mais favorável à polinização, essencial para lavouras e para cadeias que dependem de plantas e pastagens. Agro em Madalena ganha reforço com apicultura em expansão Agro em Madalena tem na apicultura um dos pilares de crescimento. O município já reúne dezenas de apicultores e projeta ampliar esse número. A cadeia do mel depende diretamente da florada, o que aproxima produção e conservação ambiental em um mesmo objetivo. O argumento central do projeto é simples: sem abelhas, a polinização cai, a produção de plantas reduz e todo o sistema alimentar perde força. Por isso, iniciativas de reflorestamento e educação ambiental entram como base estratégica. O trabalho também mira jovens e escolas, para ampliar o reconhecimento da caatinga como bioma único e de alto valor econômico e ecológico. Empreendedorismo rural vira referência em propriedade familiar A transformação do agro local também aparece em exemplos práticos. Um caso apresentado envolve um quintal produtivo criado a partir de terra degradada. O espaço passou por recuperação com plantio de nativas e frutíferas, consórcio de culturas e manejo orgânico. A propriedade trabalha com diversas espécies, como coco, limão, laranja e culturas mais resistentes à seca. Além disso, integra criação de aves e abelhas com e sem ferrão, incluindo produção de cera e colmeias. A diversificação aumenta resiliência e melhora o aproveitamento de recursos. O modelo também ganhou caráter demonstrativo, recebendo grupos de estudo e moradores interessados em replicar práticas. A proposta reforça que pequenas áreas podem gerar produção, melhorar qualidade de vida e criar oportunidades de renda. A estratégia está ligada a capacitação técnica e gestão do espaço, com foco em consistência e evolução gradual. Agro em Madalena reúne políticas locais, parcerias e iniciativas de base para transformar produção rural em renda e sustentabilidade. O município mostra que tecnologia e organização podem chegar a pequenos produtores, com ganhos reais na apicultura, na diversificação produtiva e na recuperação da caatinga. O resultado reforça o papel do Sertão Central como território de soluções adaptadas ao semiárido e com potencial de inspirar outras cidades. Assista a matéria abaixo
Colheita inteligente: colheitadeira que se ajusta sozinha
Tecnologia do campo vira vitrine na CES 2026 Colheita inteligente virou destaque na CES 2026, em Las Vegas, ao mostrar uma nova geração de colheitadeiras que ajustam o trabalho quase sozinhas. A proposta é ganhar tempo na lavoura e reduzir perdas. Além disso, a operação fica mais simples para quem está na cabine. Na prática, a máquina combina câmeras, dados e sistemas que “preveem” o que vem à frente. Assim, ela muda a velocidade e as regulagens antes do problema aparecer. O objetivo é manter o rendimento alto mesmo quando a lavoura muda de ritmo ao longo do talhão. Colheita inteligente promete mais produtividade com menos perdas A colheita inteligente exibida no evento foi apresentada como capaz de aumentar a produtividade em até 20% a 30%, segundo executivos da empresa. O ganho estaria ligado ao conjunto de tecnologias embarcadas, que automatiza decisões rotineiras e mantém o desempenho mais estável durante a colheita. Outro ponto citado é a redução de perdas no processo. A máquina faz ajustes constantes para preservar a qualidade do grão. Com isso, o operador tende a depender menos de tentativa e erro, principalmente em dias longos e com condições variáveis de umidade. Ajustes automáticos mudam a rotina de quem opera no campo O sistema usa câmeras voltadas para a frente e informações de satélite para antecipar mudanças na lavoura. Dessa forma, a colheitadeira altera a velocidade de forma preventiva. A ideia é evitar picos de esforço e manter a colheita fluindo com regularidade. Além disso, as regulagens internas são feitas em tempo real. O equipamento monitora condições do material colhido e ajusta automaticamente pontos-chave do processamento. O foco é equilibrar limpeza e aproveitamento, sem exigir intervenção constante de quem está operando. Conectividade e autonomia colocam o futuro do agro no radar A demonstração reforçou a aproximação entre agricultura e automação avançada. O discurso no evento aponta para máquinas cada vez mais independentes, ainda com o operador a bordo. Segundo a avaliação apresentada, a colheitadeira já realiza tarefas como guiar-se no campo e fazer manobras no fim das linhas, o que aproxima o setor de um novo patamar de autonomia. O tema do investimento também apareceu. O preço, dependendo da configuração, pode ultrapassar a casa de um milhão de dólares, segundo o relato. Ainda assim, a justificativa foi baseada no retorno em produtividade e na urgência de colher no tempo certo, além do desafio de mão de obra no campo. A colheita inteligente apresentada na CES 2026 sinaliza uma mudança prática na colheita: menos ajustes manuais, mais constância de resultado e operação mais simples. O movimento reforça o rumo de um agro mais conectado, com máquinas que tomam decisões em tempo real e abrem caminho para soluções cada vez mais autônomas.
Exportações do Ceará crescem 56% e batem recorde em 2025
Ceará avança nas vendas externas apesar de barreiras comerciais Exportações do Ceará registraram o maior crescimento do Brasil em 2025 na comparação com o ano anterior. O resultado ocorreu mesmo com um cenário internacional marcado por barreiras comerciais e pelo tarifácio dos Estados Unidos, citado como um dos fatores de pressão para o Estado. Os embarques cearenses alcançaram US$ 2,3 bilhões em 2025, após um patamar próximo de US$ 1,5 bilhão no ano anterior. A alta foi de 56%. O desempenho colocou o Ceará à frente de outras unidades da federação no ritmo de expansão das vendas ao exterior. Exportações do Ceará são puxadas pela siderurgia e por setores industriais A siderurgia foi apontada como o principal motor das exportações estaduais. O segmento somou US$ 1,18 bilhão e mais do que dobrou o valor registrado no ano anterior. Com isso, o setor reforçou a posição do Estado em mercados internacionais, mesmo diante de incertezas externas. Além da siderurgia, outras cadeias produtivas também contribuíram para o avanço. Entre os destaques aparecem calçados, óleos e gorduras vegetais e minerais não metálicos. Esse mix ampliou a resiliência das exportações do Ceará e reduziu a dependência de um único produto. Fruticultura e pescados ampliam mercados e sustentam o desempenho A fruticultura ganhou força com ações de promoção e expansão de área, segundo o relato. O melão foi citado como a cultura mais exportada, com crescimento de produção e ampliação de mercados. Esse movimento ajudou a manter fluxo de embarques mesmo com volatilidade no comércio global. No caso dos pescados, o cenário foi descrito como mais sensível. Parte das tarifas teria sido retirada para produtos brasileiros, mas o pescado permaneceu fora desse alívio. Ainda assim, o setor buscou alternativas, com redirecionamento para outros mercados e manutenção parcial das vendas para os Estados Unidos. Incentivos e novas frentes de mercado orientam a estratégia para 2026 O resultado de 2025 foi associado ao diálogo com o setor produtivo e ao uso de instrumentos de incentivo. Entre eles, foi citado o FDI, Fundo de Desenvolvimento Industrial, com medidas para mitigar impactos do tarifácio sobre empresas exportadoras. Também foi mencionada a extensão de apoio ao setor de pescados até fevereiro, como forma de dar fôlego no curto prazo. Para 2026, a expectativa é de continuidade da expansão. A reabertura do mercado da União Europeia para pescados foi apontada como uma meta, com auditoria prevista a partir de julho. A diversificação de destinos tende a reduzir a dependência do mercado norte-americano e fortalecer a competitividade do “Made in Ceará” no exterior. O avanço das exportações do Ceará em 2025 combinou força industrial, abertura de mercados para frutas e medidas de apoio ao setor produtivo. Mesmo sob barreiras comerciais, o Estado registrou crescimento acima da média nacional. Para 2026, a estratégia indicada passa por ampliar destinos, consolidar incentivos e buscar novas frentes, como a União Europeia, para sustentar o ritmo de expansão.